A Moeda

Estas perguntas e respostas foram extraídas de questões de prova da pós-graduação em economia. Postei no site pois acredito que possam esclarecer algumas questões que existem sobre economia, sob o meu ponto de vista. Se outro pontos de vista forem comentados, o site estará aberto a discussões, sempre.

Explique por que, na sua opinião, a moeda é neutra ou não-neutra em relação ao crescimento econômico.

A moeda é claramente não-neutra no curto prazo. Não existe muita discussão na academia, que aceita com muita tranqüilidade este fato. Na minha opinião, porém, a moeda no longo prazo tem um efeito muito pequeno, se existente. Os fatores que considero para esta afirmação são:

A) Uma política monetária frouxa, de déficits orçamentários, acarretará necessariamente em inflação, visto que a emissão de moeda precisa ser apoiada em crescimento da economia real. Uma inflação impede o crescimento, e este efeito no longo prazo é nocivo à nação, visto o cenário encontrado no Brasil da década 80 e início dos anos 90.

B) Dinheiro sozinho não cria crescimento. O crescimento advém dos empregos dos fatores reais de produção, da criação e organização da economia em tecnologias que agregam mais bem-estar de forma mais eficiente. Um crescimento apenas calcado no dinheiro tem seu valor esvaziado em inflação.

O crescimento está sempre baseado na forma que seus sistemas de organização, seja produção, legal, logística se entrelaçam e criam condições para uma melhor vida de seus habitantes. Por isso, no meu ponto de vista, não existe mágica. Crescimento vem da organização da sociedade para criar bem-estar (produtos e serviços) e não pode ser gerado espontaneamente com a criação de moeda.

Quais as justificativas para a regulação bancária?

Os bancos possuem características que hoje podemos entender como comportamento de rede. Em uma rede, quando temos um problema em um nó, duas coisas podem acontecer: Ou o dano é suficiente pequeno, e os outros nós “apagam” os efeitos do nó defeituoso, ou ele causa uma perda de função da própria rede.

Como os bancos estão ligados nesta formação, e tem um papel crucial em uma economia, não se pode jamais deixar que exista o risco da perda de função das operações bancárias. Isto pode acontecer de diversas maneiras, mas a mais comum é a descrença generalizada da rede bancária suportar os saques futuros, que gera uma demanda por saque (preferência por papel-moeda), conhecido como corrida aos bancos.

Um banco sozinho pode causar uma desestabilização em todo o sistema monetário. Por conta disso, a credibilidade de todas as instituições bancárias é de extrema importância. Não se pode garantir que os agentes bancários não “passem dos limites” dos riscos aceitáveis em suas operações apenas por conta própria. Para que haja esta garantia, é necessária regulamentação, permitindo ou não determinadas operações e exigindo contra-prestação em algumas outras.

Esta, entretanto, não é a única medida necessária para se prevenir o chamado risco sistêmico. É necessário um banco central garantidor e crível, que tenha, aos olhos do mercado, real capacidade de estancar uma crise no caso de possibilidade de uma ocorrer. Para isso, entendo que o banco central deve operar seguindo regras claras e de conhecimento de todos, para que não existam dúvidas dos mecanismos que serão adotados em casos de desvios de rota da economia.

Se o objetivo ou meta final da política monetária é controlar a inflação através da taxa de juros Selic, por que ele precisa atuar através de metas intermediárias e de metas operacionais e não pode agir diretamente sobre a taxa de juros ou sobre os próprios preços?

O poder sobre os preços que um governo tem é extremamente limitado. À exceção de alguns preços controlados pelo governo – tipicamente tarifas de concessões públicas (água, energia elétrica, etc.) e transportes – o governo é incapaz de eficazmente lutar contra o mercado e regular ou impedir reajustes nos preços.

O congelamento de preços possui uma característica que o torna impensável no médio prazo – ele não permite o deslocamento relativo dos preços, natural e importantíssimo para a equalização da oferta e demanda. Também são conhecidos os ágios cobrados quando um produto começa a rarear nas prateleiras – algo que acontece naturalmente quando existe este desequilíbrio dos congelamentos.

Descartando o controle sobre direto sobre os preços, falta nesta questão responder por que o governo não controla diretamente as taxas de juros. Como é de conhecimento até popular, as taxas de juros são formadas por duas parcelas. Uma é o custo do dinheiro, que é a taxa básica de juros. A segunda, conhecida como “spread”, que é uma soma dos custos da oferta do empréstimo (custos indiretos, somados aos riscos de inadimplência, riscos outros, etc.) com o lucro dos bancos.

Reza a cartilha do livre mercado que os bancos, na busca por maiores lucros, tenderão a emprestar dinheiro até que o lucro seja, marginalmente, zero. Isso é verdadeiro se entendemos o mercado bancário como um mercado livre, ou fragmentado. Claro que não devemos supor que o mercado brasileiro seja perfeito (no sentido de concorrencial), mas um oligopólio. No oligopólio, a lógica é ameaçada, e se houver cooperação entre os participantes, a mercadoria (crédito neste caso) seria limitada a uma porção inferior ao socialmente ideal, de modo a maximizar o lucro dos participantes.

Acontece que, novamente, o poder do Estado é limitado ao regular o Spread. Se ele fosse tabelado, as duas principais conseqüências seriam ou a diminuição do crédito ou o aumento do risco das instituições, que para seguir emprestando dinheiro, tenderiam a diminuir o próprio senso de risco de inadimplência. O resultado mais provável, no meu ponto de vista, é uma soma dos dois fatores, ou seja, uma diminuição do crédito e um aumento no risco sistêmico.

E por que o Estado precisa regular a taxa Selic? É extremamente importante para a economia que se mantenha dentro dos limites de liquidez alvos, que são uma escolha política do governo, pois estes limites é o principal fator de controle da inflação. Como, no curto prazo, inflação e crescimento econômico estão atados, o governo tem a responsabilidade em admitir uma taxa de inflação ou não, assim como metas intermediárias e operacionais.

Claro que este instrumento é um instrumento oneroso de controle de liquidez, porém tem se mostrado o mais efetivo nas diversas economias que seguem estas práticas de controle da inflação. Outros mecanismos têm sido descartados ao longo do tempo pelos governos do mundo todo, sendo a taxa de juros o principal mecanismo dos bancos centrais mundiais no controle da inflação.

Certificações do PMI

O que são as certificações PMP, PMI?

Não existe uma certificação chamada PMI. O PMI (project management institute) www.pmi.org é uma associação sem fins lucrativos, com origem nos Estados Unidos, que possui três certificações distintas:

PgMP – Certificação nova e “topo de linha”, para profissionais com experiência tanto em projetos como em gestão de programas de projetos. Para ter esta certificação, além da educação formal exigida, do conhecimento específico testado em prova, são necessários no mínimo 8 anos de experiência (4 de gestão de projetos e 4 de gestão de programas) se o profissional tiver curso superior. Se não possuir, a experiência necessária é ainda maior. É ainda bastante rara no Brasil.

PMP – Certificação que exige, para profissionais de curso superior, no mínimo 4500 horas e 3 anos de experiência coordenando tarefas de projetos, além de valor mínimo de horas em educação formal em GP e prova para testar os conhecimentos em gestão de projetos.

CAPM – Certificação de “entrada”, que requer 1500 horas em coordenação de tarefas de projetos ou 23 horas de educação formal em GP, além de um diploma de segundo grau.

Quais as vantagens de filiar ao PMI?

Ao se tornar membro do PMI, você terá acesso ao PM-BOK, que é o “manual” de gestão de projetos mais conhecido e aceito como padrão no mercado, inclusive em uma versão em português. Esta não é a única razão para se tornar membro, mas é uma boa fonte e que deve ser sempre consultada, e que infelizmente só está disponível online e sem custos para os membros do instituto. Ele é vendido também como livro, em livrarias como a Cultura.

Como as certificações são baseadas no conceito do PM-BOK, eu sugiro a associação ao PMI. Além de tudo, o PMI normalmente promove encontros em diversas cidades do país, o que permite uma maior integração com profissionais que trabalham e estudam nesta área.

Pequena Introdução à Análise de Valor Agregado – EVA

A análise de valor agregado em projetos é uma ferramenta cujo uso em gerenciamento de projetos tem se difundido de forma muito veloz. O PMI ( www.pmi.org ) possui uma publicação chamada “practice standard for earned value management”, que inclui, além da análise, um guia de uso da ferramenta de maneira mais efetiva. Este padrão pode ser baixado pelo site do PMI por seus membros.

O termo EVA, na significação deste artigo (Earned Value Analysis) esté em desuso. O PMI substituiu todas as referências por EVM (Earned Value Management), pois EVA pode ser confundido com EVA®,  referência a Economic Value-added, uma metodologia patenteada pela consultoria Stern Stuart.

O gerenciamento do valor agregado consiste em medir a performance pela comparação do custo do projeto com seu valor agregado. De forma resumida, significa analisar três curvas de desempenho. Uma curva, representa o valor planejado ao longo do tempo, outra representa o valor realmente gerado até o momento e a terceira curva representa o valor do custo do projeto. No exemplo abaixo, é mostrado um projeto de R$ 50.000,00, atrasado e acima do custo previsto:

Gráfico 1: COTA x COTR x CRTR
Gráfico 1: COTA x COTR x CRTR

1.1 Principais Informações para cálculo do Valor Agregado:
1.1.1 COTA (PV)

Custo Orçado do Trabalho Agendado ou PV – Planned Value: É o custo planejado do projeto na sua linha de base, via de regra, o custo usado para o cotação do projeto. No Gráfico 1.1, está representado como a linha preta.

1.1.2 COTR (EV)

Custo Orçado do Trabalho Realizado ou EV – Earned Value: É o custo planejado do projeto para o trabalho realizado até o momento. No Gráfico 1.1, está representado como a linha azul. Como o valor atual da linha azul está abaixo da linha preta, o projeto está atrasado.

O COTR (EV) é o valor dos serviços realmente executados baseados nos preços orçados ou seja , é o valor da medição – em reais – de um empreendimento.

1.1.3 CRTR (AC)

Custo Real do Trabalho Realizado ou AC – Actual Cost: É o custo efetivamente desembolsado para o avanço atual do projeto. No Gráfico 1.1, está representado como a linha vermelha.
1.2 Principais Indicadores da análise de valor agregado

Os principais indicadores para análise de valor agregado são os seguintes:
1.2.1 SPI – Schedule Performance Index

Também chamdo de SV – schedule Variance. Representa o percentual de cumprimento do cronograma. Um projeto que cumpre exatamente os prazos planejados apresenta um índice de 100%. Este índice é dado pela seguinte fórmula:

Schedule Variance

Este índice pode ser entendido como a velocidade relativa ao previsto que o projeto está sendo executado. Por isso, se este índice for menor que 100%, o projeto está atrasado. No gráfico, ele pode ser melhor visualizado:

eva2Gráfico 2: Determinação do SPI
1.2.2 CPI – Cost Performance Index

É o custo total efetivo contra o previsto para o avanço atual do projeto. Pode ser expresso pela fórmula:

Cost Variance

Da mesma maneira que o SPI, o valor acima de 100% representa um projeto com desempenho melhor que o previsto na linha de base. Um projeto com CPI de 50%, por exemplo, esté custando o dobro do planejado, pois tem uma efetividade de 50% do valor aplicado.

Para este indicador, o valor de COTA, ou seja, o desempenho do cronograma, não é utilizado, pois leva em conta apenas o valor gasto para cada avanço físico. O gráfico que representa este indicador é assim:

1.3 Previsões de custos e prazos usando a metodologia EVA
1.3.1 Método Otimista

Segundo o método otimista, a diferença do cumprimento do cronograma ou de custos não constitui uma tendência de comportamento e pode ser considerada como um desvio de percurso que impactará nas novas tarefas apenas alterando a data de seu início.

Portanto, segundo este método, o atraso/adiantamento ou custo acima/abaixo do previsto continuará constante até o final do projeto. Como a maioria dos projetos atrasam e/ou têm custos acima do previsto, este método é chamado “método otimista”. Para o Projeto de exemplo, a previsão usando este método seria:

Método Otimista

Gráfico 4: Método Otimista de Previsão

Para este projeto de exemplo, teríamos:

COTR: R$ 12.800

COTA: R$ 21.000

CRTR: R$ 29.500

Custo da Linha de Base: R$ 50.000

Custo Previsto (Otimista) = (CRTR – COTR )+Custo da linha de Base

Custo Previsto (Otimista) = R$ 66.700

Duração na linha de base: 69 dias

Dias corridos até atualização: 32 dias

Quatro anos após a publicação e com quase 50.000 pageviews, em julho de 2012 o leitor Walter Uvo me chamou a atenção de que o cálculo estava errado. Muito obrigado por perceber e comunicar, Walter!  Acredito que tenha resolvido os problemas originais.

Atraso Atual = ((1 – SPI) x Tempo decorrido)
Atraso Atual = ((1-0,61) x 32 dias) = 12 dias

Previsão de duração (Otimista) = 83 dias
Método do Valor Mais provável ou Realista

O método do valor mais provável, ou realista, prevê que a velocidade ou efetividade dos custos do projeto continuarão com a mesma taxa de desvio que apresentam na medição mais recente, ou seja, o SPI e CPI permanecerão constantes durante o término do projeto.

Visualizando o gráfico do exemplo:

Método RealistaGráfico 5: Método Realista de Previsão

Calculando:

COTR: R$ 12.800

COTA: R$ 21.000

CRTR: R$ 29.500

Custo da Linha de Base: R$ 50.000

CPI = 12.800 / 29.500 = 0,42

Custo do projeto (Realista) = 50.000 / 0,42 = R$119.000

Duração na linha de base: 69 dias

SPI = 12.800 / 21.000 = 0,61

Duração do projeto (Realista) = 69 / 0,61 = 113 dias
1.3.2 Método Pessimista

Embora não seja o método mais usual, o método pessimista parte do pressuposto que as pessoas envolvidas no projeto colocarão mais empenho em um projeto que está atrasado, aumentando o custo na forma de horas extras e de maior mobilização de pessoal, de forma a tentar reverter um quadro de atraso. Considera-se, então, que o custo do projeto será dado pela multiplicação do CPI pelo SPI, cujo nome é SCI (Scheduled Cost Index).

Segue o exemplo do projeto anterior:

CPI = 0,42

SPI = 0.61

SCI = 0,42 x 0,61 = 0,256

Custo Previsto (pessimista) = R$50.000 / 0,256 = R$195.160,00

 

 

Guilherme Silva, PMP