O espetáculo não pode parar.

O espetáculo em questão vem a ser o consumismo exagerado que a sociedade imprime como ritmo, que tem impactos incalculáveis no meio ambiente e em nossas vidas.

Realmente o espetáculo não pode parar, não faço idéia de quem escreveu pela primeira vez e deu força a esta frase, mas realmente será que o espetáculo não pode parar?

O espetáculo em questão vem a ser o consumismo exagerado que a sociedade imprime como ritmo, que tem impactos incalculáveis no meio ambiente e em nossas vidas, estes são simplesmente ignorados pela senhora que compra sua bolsa nova ou pelo senhor que acabou de sair da concessionária com uma nova caminhonete movida a óleo diesel, são fatos que as pessoas ignoram, apenas se interessam pelo seu bem estar e não ligam para o que acontece ao seu redor, a cadeia produtiva de uma forma completa, não dão a menor importância se aquela bolsa foi fabricada em um lugar nos confins da China por crianças ou na esquina de casa.

A cadeia produtiva linear deste sistema produtivo é o maior vilão do cenário globalizado atual, pois vivemos em um planeta de recursos limitados onde podemos avaliar a questão e pensar que a culpa disso tudo é exclusiva dos empresários “gananciosos” que visam o lucro acima de tudo, porém, deixamos de lado a responsabilidade do governo que fecha seus olhos apoiando a produção “suja”, apenas importando-se com os impostos a serem pagos, tanto pelas indústrias como pelos consumidores.

A dura realidade; os governos deixam de ser os grandes blocos econômicos dando espaço aos grupos empresariais e industrias, onde realmente se exerce as demandas do poder deliberando e criando leis que os favorecem, a população em geral apenas é avisada das novas normas e tenta se adequar as mesmas sem voz e muito menos vontade.

O cenário que nos encontramos na atualidade não foi algo que simplesmente aconteceu, e sim, algo planejado, onde o analista de vendas Victor Leboux previa em meados dos anos 50 (pós-guerra) que “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nosso caminho de vida (way of life), e que transformemos a compra e o uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas em um ritmo cada vez maior“.

Naquela época foram criados conceitos que podemos citar como fundamentos do consumismo atual que são obsolescência planejada e a obsolescência perceptiva, esta primeira trabalha o conceito de criar produtos que vão direto para o lixo, e como principais exemplos cito as sacolas plásticas, copos descartáveis, câmeras descartáveis e ate mesmo computadores, pois a cada ano temos que trocar peças que inviabilizam a manutenção do mesmo equipamento, onde o fabricante troca propositalmente encaixes e dispositivos que nos obrigam a comprarmos outras versões mais novas do que já tínhamos e a obsolescência perceptiva trabalha o conceito de que o ser humano precisa participar de um grupo ou meio em comum, citando como principal exemplo a moda, que no verão utiliza roupas coloridas e fortes e no ano seguinte, a tendência é outra, e infelizmente, movidos pela necessidade de aceitação no meio o ser humano se curva a tais leis do consumismo.

Infelizmente nossa saúde frágil sofre nessa cadeia, atualmente em muitas partes do mundo é utilizado como principal meio de descarte do lixo a incineração, que produz mais poluição (além da fabricação) e um dos efeitos desta é a união de toxinas utilizadas na fabricação, dando origem a toxinas extremamente danosas como a dioxina que é considerada hoje a mais violenta substância criada pelo homem, com seu grau de periculosidade ultrapassando o urânio e o plutônio. Além do que a contaminação não se compara com agente tóxico comum que se possa ver, sentir ou medir por grama. A medida usada para aferir a dioxina encontra-se na escala dos nanogramas, ou seja, um bilionésimo de grama.

Momentaneamente aprofundando nesta questão, as autoridades do mundo científico destacam que as doenças provocadas pela contaminação por dioxina são várias, entre elas o”cloroacne, que dispensa definições; o câncer no fígado; o câncer no palato; o câncer no nariz; o câncer na língua; o câncer no aparelho respiratório; o câncer na tireóide; a queda de imunidade; malformações e óbitos fetais; abortamentos; distúrbios hormonais; concentrações aumentadas de colesterol e triglicéridos; hiperpigmentação da pele; dor de cabeça e nos músculos; desordem no aparelho digestivo; inapetência, fraqueza e perda de peso; neuropatias; perda da libido e desordens dos sensos.

Atualmente é feito um trabalho em todas as partes dessa cadeia “suja” de produção linear visando a otimização da fabricação desses bens de consumo, tentando modificar um modelo que gera poluição, devastação, desigualdade social, a idéia deste movimento é ser responsável, nas atitudes, na vida e principalmente no consumo, onde podemos  ter  o controle da situação. Pequenas atitudes que começam a mudar o mundo, vão desde procurar um mercado perto da sua casa que compra frutas dos produtores da sua região, certificar-se que o móvel que você está comprando é feito de madeira de reflorestamento e principalmente a reciclagem, que consegue mudar totalmente o sistema linear para cíclico, onde podemos aproveitar os restos e o que não será mais usado para criar algo novo vendo então uma antiga e importante frase de um filosofo francês Antonie Lavoisier que diz, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma“.

A reciclagem é o inicio de uma mudança, porém existem sinalizações que podem nos dar esperanças de um futuro melhor, onde vários países do mundo assinaram e protocolaram suas intenções a respeito do protocolo de Kioto, começamos a fazer negócios baseados no fair trade ou comercio justo, onde o produtor que recebia somente alguns centavos pela matéria bruta que compõem o produto final participa de forma justa nos lucros bem como todas as outras partes envolvidas no processo de fabricação.

O conceito linear de produção é antigo, deverá dar lugar a um sistema cíclico sem desperdícios trabalhando novos modelos de negocio onde investimentos estejam concentrados em idéias como energias renováveis,  comercio verde, selo verde de produção e principalmente visando o respeito e ética perante a sociedade trabalhando o conceito de responsabilidade social gerando empregos e economias sustentáveis.

Como Lavoisier propôs, o show não deve parar, deve apenas se reciclar e dar inicia a algo novo e mais produtivo para todos.