BSC É Bom Porque Todos Usam ou Todos Usam Porque Ele É Bom?

Ao entramos em uma loja de componentes de informática, o vendedor sempre tenta nos convencer de que aquele Pentium 4 com gravador de DVD e placa de vídeo de 64 bits é o que há de mais moderno e que a gente não pode ficar para trás, pois é o que todos estão comprando. Contudo, não nos damos conta de que não usaremos nem 30% do que a máquina tem a oferecer. Para quê tanta memória e recurso se tudo que fazemos são alguns trabalhos esporádicos no Word, Excel e Internet, visto que hoje em dia nos falta tempo até para ler e-mails? É nessa mesma linha de compulsão consumista que nossas empresas se comportam ao adotarem seus sistemas de gestão empresarial.

Quando surgiu na década passada, o Balanced Scorecard, sistema de avaliação de desempenho que considera indicadores não financeiros, desenvolvido por Robert S. Kaplan e David P. Norton, todos pensavam ter a solução para todos os problemas de suas empresas. Além de ter por trás o prestígio de ter sido desenvolvido por pesquisadores da Harvard Business School, o BSC foi testado e aprovado pelos seus criadores com incríveis resultados em doze grandes empresas, transformando-se na coqueluche empresarial da última década. E como não poderia deixar de ser, o BSC chegou ao Brasil com a mesma força com que em outros países do mundo. Porém a idéia de que estabelecer missões, estratégias, objetivos, indicadores, metas e iniciativas eram tarefas de fácil implantação e execução ficou somente no imaginário dos empresários e CEO’s tupiniquins.

Para que o BSC traga o mesmo bom desempenho das empresas testadas por Kaplan e Norton, é necessário saber se a empresa tem essa necessidade. Vamos implantá-lo por que precisamos ou o implantaremos por que o concorrente já o fez? Respondida essa intrigante pergunta é de extrema importância um comprometimento desde os presidentes até os funcionários da portaria das empresas. Não basta estipular metas e indicadores e esperar que os funcionários busquem os resultados. Eles têm de se sentir motivados. Todos têm de comprar a idéia e vestir a camisa desse tal de Balanced Scorecard para que nossas empresas saibam realmente aonde querem chegar.

Não há dúvida de que o Balanced Scorecard oferece uma variedade de benefícios incontestáveis para as empresas, assim como outros sistemas de gestão empresarial, mas há de se pesar os prós e os contras antes de adotá-los. Afinal pra quê vou comprar um Pentium 4 se o Pentium 1 que tenho em casa resolve todos os meus problemas?

Robson Coêlho Cardoch Valdez

Especialista em Economia Empresarial – UFRGS.

robsonvaldez@hotmail.com