Tecnologia versus Empregabilidade

Ao que tudo indica, todo processo de modernização carrega consigo a controvérsia da empregabilidade. E quando se trata da produtividade rural, isso fica ainda mais evidente.

Para compensar a valorização das terras no sudoeste, resultado da alta procura pelos produtores de cana, tornou-se necessária a implantação da tecnologia pelos produtores de grãos, permitindo a estes disputarem terras em condições de igualdade com as usinas.

Nitidamente percebe-se o aumento da produtividade com o avanço tecnológico. E como conseqüência, as plantadeiras e as colhedoras de menor porte estão perdendo sua utilidade. Atualmente, o que se busca são plantadeiras com controle eletrônico na quantidade e profundidade da semente e adubo.

Percebe-se que a tecnologia proporciona avanços para a produção de grãos, gerando ao mesmo tempo barreiras para a produção de cana, uma vez que permite a disputa entre ambos por terras cultiváveis.

Tal situação gera para as fábricas de máquinas um considerável aumento na demanda, elevando sua produção. No entanto, o que se nota de outro lado é a redução do número de funcionários para cuidar das lavouras.

A modernização traz consigo a diminuição da necessidade de mão-de-obra. Quanto antes havia a necessidade de 12 funcionários para cuidar de uma lavoura de plantio de grãos de 1.100 hectares, agora já é possível a redução para 8 funcionários.

Mais uma vez observamos aqui o problema da contradição tecnologia e empregabilidade. Até que ponto a tecnologia é boa em termos de geração de renda e emprego? Até que ponto essa mesma tecnologia traz a substituição do homem pela máquina, refletindo-se na economia como um todo em termos da redução da renda e, por sua vez, da demanda?

Tecnologia é conhecimento, e se formos analisar desta forma, podemos ainda perguntar até que ponto o conhecimento gera renda e gera empregabilidade. Mas aqui temos de entrar na questão da educação, a comercialização da educação, o progresso desmedido e desqualificado da educação. E isso é assunto para outra conversa. Por enquanto fica aqui um espaço para reflexão.

Autor: Alessandra Montebello

Economista (PUC/SP), com Mestrado em Economia (PUC/SP) e Especialização em Economia Internacional pela Universidade de Toronto-CA. Professora de Economia, Macroeconomia, Microeconomia, Economia Brasileira e Gestão Empresarial. Experiência de mais de 10 anos em Gerenciamento de Projetos, Planejamento Estratégico e Análises de Viabilidade-Econômica.