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Sustentabilidade

Autor: Guilherme Silva

Publicado em agosto 8th, 2009 · 4 Comentários - 14.499 visualizações

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Muitas vezes me pergunto sobre e esta questão de sustentabilidade, pois a minha visão deste conceito é diferente do entendimento padrão. Como não tive ainda a oportunidade de dividir esta questão com um grupo realmente grande, de amadurecê-la, ainda não tenho qualquer conceito formado – mesmo que as minhas verdades sejam mutáveis ao longo do tempo, pois aprendo no processo de defendê-las, até que alguém por vezes me prova errado, e passo a defender novas verdades.

Concordo com o Peter Mello ( http://www.x25.com.br/peter ). Ele sabe, já declarei isto aqui diversas vezes, que o conceito de projeto verde que ele uma vez apresentou caiu como uma luva em minhas crenças profissionais. Sem querer detupar o conceito, mas refazendo uma própria interpretação pela simples incapacidade de procurar em e-mails anteriores quais foram as suas exatas palavras, deixou como conceito que ser grande parte do “conceito verde” é chegar ao mesmo resultado consumindo menos recursos. Genial.

Mas, aqui começam as minhas dúvidas e inovações – ser uma empresa socialmente responsável significa cumprir com eficiência a sua função social. Não acredito que seja por acaso que declaramos a função social no contrato social no contrato social. A legislação poderia exigir as “atividades econômicas”, o que seria um excelente sinônimo. Este é o seu objetivo, sua meta e sua forma de gerar ganhos econômicos. Mas mais do que isso, esta é a forma que ela contribuirá para a sociedade.

Peço que se despreendam do preconceito para ouvir uma idéia diferente, que sei que é radical demais, e provavelmente não pode nem deve ser usado na sua totalidade na prática, mas que pode valer para contrabalencear pensamentos extremistas na relação inversa.

Quando uma grande siderúrgica ou uma grande petrolífera emprega seus recursos para a construção de escolas – nada mais louvável que esta atitude, tenho certeza – a não ser que a própria empresa entenda esta atitude como investimento em formação de mão de obra futura, com retorno calculado, com uma lógica de reaver este recurso como em qualquer investimento padrão, é um desvio de sua função social. E por isso não é socialmente responsável.

Qual a lógica que pode sustentar tal afirmação?

Pois bem, imaginemos o Brasil como um país em competição com todos os demais. Imaginem que os investimentos podem ser realizados no Brasil ou fora dele. Até aqui é uma suposição que entendo real. Agora imaginem os valores do aço vendidos por duas empresas: Uma que apenas investe no que é a melhor relação econômica e outra que emprega seus recursos corretamente, mas que realiza diversas ações PRO BONO.

Considerando que as margens de lucro permanecerão dentro de um padrão mundial com pouca variação, já que é uma empresa listada em bolsa, a empresa que realiza investimentos sem retornos financeiros venderá o aço a um preço maior, no mínimo um percentual para que os custos deste investimento sejam rateados.

Do ponto de vista macroecômico, não é obvio o resultado. O aumento do preço do aço aumenta os custos de todos os investimentos que consomem aço, e que tornam o Brasil um país menos competitivo.E que reduz a venda de aço, pois uma menor quantidade de aço será negociada, o que gera até um impacto de redução dos impostos recolhidos.

Não é cientificamente correto supor pela simples vontade de provar um ponto “para o lado dos oprimidos” qual dos efeitos é mais importante – o aumento dos custos de investimento de todos os investimentos no país mais a queda de arrecadação de impostos ou o real retorno do investimento PRO BONO. Provavelmente ainda assim vale a pena fazer este investimentos, mas são mais variáveis que temos que considerar, e provar na prática.

O que eu quero dizer, ao longo desta idéia super radical é que destinamos a função social de realizar investimentos em educação – entre outros – ao Estado. O Estado deve realizar eficientemente esta função. Aliás, pelo ganho de escala, ele deveria ser por demais eficiente em suas ações, visto que está preocupado em resolver este problema no nível nacional, podendo usufruir das vantagens da gestão de programas e portfólios (externalidades positivas), ao invés de projetos individuais.

Supor que é obrigação das empresas privadas melhorar a vida dos que a circundam é, numa outra linha de pensamento, criar impostos “não obrigatórios” aos quais os gestores das empresas sentem-se comprometidos. Pode ser encarado como uma outra forma de aumento da carga tributária, que pode diminuir a competitividade de diversas empresas, como o fisco o faz.

Para que o entendimento não seja puramente monetário, vou citar um caso que não sei se é verídico, mas estes são os números que escutei: Uma das empresas de distribuição de água, aqui do RS, tinha uma eficiência operacional de absurdos 50%. Ou seja, metade da água tratada pela empresa é desviada entre roubos, vazamentos e desperdícios.

Vou deixar o lado do roubo por um tempo, fingindo que ele seja de 25% – não tenho esta informação, estou “chutando”. Mesmo assim são 25% da produção de água daquela empresa que vão literalmente pelo ralo.

Se esta empresa consegue, com sua estutura de custos e lógica de distribuição, atingir digamos 80% da população, ela conseguiria chegar muito mais próximo da meta de 100% da população com água tratada. Ao analisar a situação à luz do que eu escrevi, é imensamente mais importante que esta empresa aumente a sua eficiência operacional, que pare com os vazamentos, do que plante árvores ou participe de campanhas para a redução de mortalidade do trânsito, por exemplo.

Claro que ela pode e deve fazer campanhas públicas relacionadas com o tema “uso racional da água”. Mas nada pode ser mais demagogo que uma empresa que joga fora metade da sua produção falar sobre o uso racional do seu produto. Crianças reais morrem todos os dias em função da ineficiência desta empresa.

Neste caso, acredito que sejam claras as razões para a sustentabilidade estar ligada à eficiência operacional. Mas temos que ser eficientes com o uso de qualquer recurso, inclusive citei o tempo como um dos primordiais. Pense em distribuição de Tamiflu, pense em auxílios pós desastres. Nestes casos, a dependência de agilidade é clara, mas também o é, pelo menos para mim, qualquer obra ligada à infraestrutura…

O dinheiro, a eficiência econômica, é algo que permeia todo o conceito pois serve de ferramenta que torna possível o entendimento do conceito e a generalização para todas as empresas, sejam elas de qualquer setor da economia. E mais, qualquer empresa e qualquer pessoa está reagindo a mudanças de preços e variações financeiras, o que torna este tipo de estudo eficaz.

Eu passo longe de ser um porco capitalista que não liga para as pessoas, como o texto pode dar a entender, mas vejo no aumento de efiência a resposta para gerarmos bens e serviços de modo a possibilitar o consumo da grande massa de qualquer país, principalmente os nossos países subdesenvolvidos. Ou seja, é preciso que todos consigam produzir mais (eficiencia operacional) do que o agregado do consumo, com eficiência distribuicional e outras…

Nenhuma ação da empresa pode ser analisada de forma isolada, defendo a visão holística da empresa. Por vezes, uma empresa busca apenas madeira certificada por outro aspecto que comentei em outro email envaido ontem: sinalização. Ao fazer isto, ela sinaliza para os seus consumidores (voltamos à assimetria de informações, tudo é ligado) que é uma empresa responsável, e espera que os con’sumidores paguem mais por seus produtos ao conhecer esta informação. É uma forma de diferenciação para tentar entrar em um mercado com menos competidores.

Mas sim, creio que é importante usar madeira certificada. Tanto que eu pago pelo valor mais alto de empresas de móveis certificados da minha casa e do meu escritório, porque sei que isto é importante.

Mais importante ainda é que as empresas cumpram a legislação. E que o Estado tenha poderes de fazer as empresas cumprí-la. O Estado é responsável pelas regras de concorrência entre as empresas, e empresas que não estão sujeitas a esta regulação normalmente obtém vantagens desproporcionais que acabam por destruir qualquer sustentabilidade das empresas que seguem as regras do jogo, num efeito totalmente daninho.

Neste sentido, pode ser encarado como gravíssimo (ao menos para a teoria que expus) o ato de fraudar ao fisco. Quando pensamos que cada empresa deve cumprir a sua função social “e só″, é porque ela está contribuindo indiretamente ao todo via pagamento de impostos, que devem ser direcionado nos pontos em que não existam razão ou permissão para que uma empresa explore comercialmente, como a segurança dos cidadãos (conjunta, e não privada), como as regras regulatórias do diversos mercados, e ainda nas conhecidas falhas do capitalismo (única fonte de recursos, mercados de grande ganho de escala, etc.).

Esta é uma das facetas que enxergo, que provavelmente dou mais peso que a maioria das pessoas, mas que não é a única visão que tenho. Como disse, isto é um equilíbrio entre diversos fatores que nunca podem ser analisados individualmente.

Como tudo na vida há um balanço, um ponto de equilíbrio. Há os que defendem mais estado, há os que defendem menos. A única posição que defendo é que, ambos Estado e empresas devem ser eficientes em suas atividades principais, em suas tarefas. Por isso vejo gerentes – de projetos ou funcionais – altamente envolvidos com o conceito de sustentabilidade.Como podemos ser responsáveis com o planeta (meu filho de 2 anos adora esse jargão, por causa do Wall-E) se não somos eficientes em extrair o máximo de resultados dos recursos que consumimos, incluindo o precioso tempo?

Categoria: Economia

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4 responses so far ↓

  • 1 Sustentabilidade | O Blog da Sustentabilidade // ago 9, 2009 at 8:38 am

    [...] Fonte: Gerenciamentoeconomico.com.br [...]

  • 2 Martins Reciclagem » Sustentabilidade » Sustentabilidade // dez 24, 2009 at 7:50 pm

    [...] Artigo com discussão sobre a importância da sustentabilidade econômica [...]

  • 3 Sr.Anônimo // jun 30, 2010 at 10:13 am

    :)
    Concordo também com ambos

  • 4 André Lima // abr 15, 2012 at 11:24 pm

    Caro Sr. Silva,

    Muito bom o seu texto(apesar de alguns erros com a “inculta e bela”; por favor, corrija-os). Acrescento apenas que a tolice dos “eco-chatos” é exatamente não entender que a “saída” para a sustentabilidade é econômica. Ficam presos ao discurso mofado do “capitalismo selvagem” e esquecem de algo importantíssimo: é preciso tornar o mais eficiente possível o consumo de recursos que temos.
    Li à pouco, na “abominável”(para eles :) Veja que veículos à combustão “…consomem mais da metade dos combustíveis fósseis no mundo, são responsáveis por um quarto das emissões de CO2, causam 80% da poluição do ar em cidades de países em desenvolvimento e causam a morte de 1,27 milhão de pessoas a cada ano em acidentes”.
    Um carro “popular”(aspas minhas :) consome em média 10l de gasolina por quilometro. Pergunto: porque raios até hoje a pesquisa científica não chegou a carros mais eficientes? Pululam descobertas de “nanoteconologias”, remédios milagrosos, celulares que fazem café, mas ninguém pesquisa um motor à combustão mais eficiente? Já pessou se a frota de veículos mundial passasse a ser 2, 3, 4 vezes mais eficiente no consumo de combustíveis?
    Não sou engenheiro mecânico, mas não entendo porque, nos dias de hoje, isso pode ser tão difícil.

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