Superávit primário do setor público, Alta do IPC e das projeções de inflação.

São Paulo, 2 de Maio de 2011.

 

ECONOMIA & FINANÇAS

Superávit primário do setor público, Alta do IPC e das projeções de inflação.

Por Thiago Flores*

 

O superávit primário do setor público consolidado alcançou R$13,6 bilhões em março, o melhor resultado para o mês desde o início da série, em 2011. O Governo Central e os governos regionais apresentaram superávits de R$9,7 bilhões e R$4,4 bilhões, respectivamente, enquanto as empresas estatais registraram um déficit de R$0,5 bilhão.

No ano, o superávit primário do setor público consolidado atingiu R$39,3 bilhões (4,20% do PIB), elevando-se 1,9 p.p. do PIB em relação ao mesmo período do ano passado. Em doze meses, esse superávit alcançou R$121,9 bilhões (3,23% do PIB) em março, elevando-se 0,3 p.p. do PIB em relação ao resultado acumulado até fevereiro.

Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$20,5 bilhões em março, superando em 1,4 bilhão o resultado do mês anterior. O maior número de dias úteis em março contribuiu para esse aumento. No ano, os juros apropriados atingiram R$58,9 bilhões, comparativamente a R$45,4 bilhões no primeiro trimestre de 2010. Essa trajetória foi influenciada, principalmente, pelos maiores patamares da taxa de inflação medida pelo IPCA e da taxa Selic durante o primeiro trimestre do ano, comparativamente ao mesmo período de 2010. Em doze meses, os juros nominais alcançaram R$208,9 bilhões (5,53% do PIB).

O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$6,9 bilhões em março. No ano, o déficit nominal atingiu R$19,7 bilhões (2,10% do PIB). No acumulado em doze meses, o resultado foi deficitário em R$87,1 bilhões (2,31% do PIB).

O financiamento do déficit nominal no mês ocorreu mediante expansão de R$31,9 bilhões na dívida mobiliária, contrabalançada, parcialmente, pelas reduções de R$3,7 bilhões na dívida bancária líquida, de R$16,0 bilhões no financiamento externo líquido e de R$5,3 bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária.

Por outro lado, segundo divulgado pela FGV, o IPC-S de 30 de abril de 2011 apresentou variação de 0,95%, 0,15 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada na última divulgação. Com este resultado, o indicador acumula alta de 3,46% no ano e 6,05% em 12 meses.  Após duas semanas em recuo, a taxa do grupo Alimentação (0,91% para 1,04%) voltou a apresentar aceleração.

Entre os destaques estão: hortaliças e legumes (3,71% para 4,20%), panificados e biscoitos (-0,43% para -0,22%), laticínios (2,12% para 2,51%) e carnes e peixes industrializados (0,74% para 1,16%). Vale destacar também, o comportamento do item alimentação fora, cuja taxa passou de 0,70% para 0,89%.  Também apresentaram acréscimos em suas taxas de variação os grupos: Transportes (1,82% para 2,10%), Despesas Diversas (0,53% para 0,81%), Vestuário (1,06% para 1,34%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,87% para 1,10%) e Habitação (0,38% para 0,47%). Nestes grupos, os destaques partiram dos itens: gasolina (4,66% para 5,98%), cigarro (1,57% para 2,30%), roupas (1,11% para 1,51%), medicamentos em geral (1,71% para 2,82%) e tarifa de eletricidade residencial (0,45% para 1,00%), nesta ordem. 

Em contrapartida, o grupo Educação, Leitura e Recreação (0,36% para 0,32%) registrou decréscimo em sua taxa de variação. A principal influência para este movimento partiu do item passagem aérea, cuja taxa passou de 3,08% para -1,04%.

Segundo o último Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, as projeções do IPCA deste ano novamente subiram de 6,34% para 6,37%, ao passo que as expectativas para 2012 permaneceram em 5,0%. As expectativas de crescimento do PIB, por sua vez, permaneceram estáveis em 4,0% para 2011, e mostraram leve elevação para 2012, passando de 4,21% para 4,25%. Para a taxa de câmbio, as projeções apresentaram recuo para 2011, de R$/US$ 1,65 para R$/US$ 1,62, e mantiveram-se estáveis em R$/US$ 1,70 para 2012. Por fim, as expectativas para a taxa Selic revelaram ajustes para cima, de 0,25 p.p. para 2011 e 2012, chegando a 12,50% e 12%, respectivamente.

 

*Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Autor: Thiago Flores - FF Consult

*Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ® www.ffconsult.com ffconsult@ffconsult.com twitter.com/FF_Consult www.facebook.com/FFConsult ffconsult.blog.com www.youtube.com/user/FFConsult2011