Reflexões sobre a Crise e Davos

E lá se vão mais de 3 meses de crise econômica.

Entendo que já temos condições de dividir as suas fases:

-o início que foi marcado pelo que podemos chamar de fase “choque e pavor” onde ninguém sabia o que estava acontecendo e muito menos o que fazer para que as coisas parassem de acontecer;

– a fase “quem está pilotando este avião”, quando as autoridade pareciam “bater cabeça” sem apresentar um conjunto mínimo de medidas para conter a crise;

– a fase “recolhendo os cacos”, onde passamos a aceitar a crise e passamos a conviver com ela diariamente;

– parece que agora já estamos na fase “qual é o fundo do poço?”, onde a grande questão é até quando a economia mundial pode aguentar a pressão e quando ela cessará.

No final do mês de janeiro, como anualmente acontece, os grandes líderes mundiais se reuniram em Davos na Suíça para discutir os grandes assuntos econômicos da atualidade e se possível apresentar soluções a eles. Este ano, como não poderia deixar de ser, todas as atenções estavam voltadas para a Crise.

Este ano podemos agrupar as conferências em dois grandes tópicos:

– “Não temos culpa de nada – o culpado é o sistema” e
– “Estamos deprimidos, portanto, não contem conosco.

Bill Gates resumiu muito bem o primeiro tópico: “Acho que nunca acharemos um culpado, um vilão para quem possamos apontar e dizer: Ahá….ele fez toda a lambança”.

Mas temos também as palavras do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, “a crise é
resultado de um sistema de regulação financeira que não funcionou.”

O que mais faltou em Davos foram justamente coragem e lucidez para dar “nome aos bois”, dizer quem errou, por que errou e como evitar que esse mesmo tipo de gente volte a ter porder de decisão. De modo geral, os conferencitas adotaram a visão de que existem falhas incontornáveis sistêmicas do “modelo” e do “mercado.

Teria sido bme mais interessante se cada participante, para obter a inscrição em Davos, fosse obirgado a escrever um esnaio sobre “O que EU fiz de errado que ajudou a nos colocar nessa encrenca”. Antes de voltar para casa, seria uma boa idáia cobrar deles um depoimento de despedida com o tema “O que EU farei para que a crise seja menos cruel do que se anuncia e não mais se repita.

Sobre o “Estamos deprimidos…” podemos simplesmente tomar algumas opiniões divulgadas no evento:

– do economista Stepen Roach, comandante na Ásia do Morgan Stanley: “Não veremos a economia mundial crescer 4% ao ano novamentre por um bom tempo”;

– do economista chefe do Banco Mundial, Hustin Yufi: “Não chegamos ainda ao fundo do poço”;

– do presidente da News Corporatio, Rupert Murdoch: “Seria bobagem dizer que a gente vai sair da crise facilmente. Ela está ficando pior e não há atalhos para encontrar as soluções”;

– do vice-presidente do Citigroup, Bill Rhodes: “O mundo vive uma recessão profunda, que não víamos desde a Segunda Guerra Mundial”.

Como se vê Davos foi pródigo em repetir o que já sabemos e econômico (com o perdão do trocadilho) em apresentar respostas.

Bibliografia:
Revista Época, edição 559 de 2 de fevereiro de 2009
Revista Isto É, edição 2.047 de 4 de fevereiro
Revista Isto É Dinheiro, edição 591 de 4 de fevereiro de 2009
Revista Veja, edição 2.098 de 4 de fevereiro de 2009

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br