O senado brasileiro: um exemplo de free-rider?

A coisa está indo mal quando começamos a rir de situações que até bem pouco tempo nos fariam chorar de raiva.

O Senado brasileiro é pródigo em produzir situações como essa: em que você sabe que tem que se indignar, mas o evento é tão fora da lógica que nossa única reação é mesmo o riso.

Vamos a alguns exemplos:

– O Senado tem 6.570 funcionários. Em janeiro, mês de recesso, sem nenhuma atividade parlamentar, 3.883 deles receberam horas extras. E devidamente reajudatas em 111%. Autorizada pelo então primeiro-secretário da Mesa Diretora Efraim Morais (DEM-PB), a gastança ficou em R$ 6,2 milhões. A justificativa oficial é que em janeiro, apesar do recesso, metade dos servidores deu duro madrugada adentro organizando os trabalhos legislativos do mês seguinte: uma única sessão que seria feito em 2 de fevereiro. É ou não é engraçado?

– o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que renunciou em 1992 para se livrar de um processo de impeachment por corrupção, voltou ao poder. No dia 04 de março ele foi eleito presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado – depois de dois anos tendo a frequencia de um turista, atuação nula e chamando mais atenção pela variação de tintura dos cabelos (comentário de Lauro Jardim no Radar On-Line da Veja). Dá para acreditar?

– na mesma semana da glória de Collor, o senador Agaciel Maia, diretor-geral do Senado pediu demissão despois de a Folha de São Paulo revelar que ele escondeu da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões, em Brasília. Garanto que se eu e você tentarmos esconder uma maloca avaliada em R$ 5 mil, a Receita descobririra. Você já deve estar gargalhando!

Eu vou parar por aqui antes que você tenha um ataque histérico. Mas essa é a dura realidade da corte mais importante do Estado Brasileiro.

Em economia existe o comportamento free rider (carona)

Esse comportamento aconteceria quando um ou mais agentes econômicos usufruem de um determinado benefício proveniente de um bem, sem que tenha havido uma contribuição para a obtenção de tal.

Tem exemplo melhor que o Senado Brasileiro? Talvez eles estejam em Brasíla com o único objetivo de “sugar” os benefícios ou as rendas geradas pelos outros milhões de brasileiros. Não é culpa deles, apenas sua missão.

Achou engraçado? Pois é, eu também não.

Bibliografia:
Revista da Semana, edição 77 de 05 de março de 2009
Revista da Semana, edição 78 de 12 de março de 2009
Revista da Semana, edição 79 de 19 de março de 2009

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br