O início do fim do sigilo bancário suíco

O mundo financeiro sofreu um forte abalo na semana passada, quando veio à tona um acordo entre UBS, o maior banco suíço, e a Justiça Americana, envolvendo a revelação do nome de 250 cilentes que teriam sido ajudados pelo banco a evadir recursos e a sonegar impostos.

Duramente abatido pela crise internacional, que já consumiu mais de US$ 20 bilhões dos seus resultados, o UBS se viu diante de uma encruzilhada: se não fizesse um acordo com o governo americanao, que envolveu ainda uma multa de US$ 780 milhões, poderia ficar impossibilitado de operar nos Estados Unidos. Entre a preservação do negócio e a tradição de sigilo absoluto, o banco optou pela primeira opção.

O interessante é que no dia 25 de fevereiro, o presidente do banco, Marcel Rohner, foi sumariamente demitido. O executivo que resistiu às perdas bilionárioas nos balanços, não sobreviveu à quebra de confiança com os clientes.

O caso passou a ser entendido como um ponto de ruptura e talvez represente o início do fim do sigilo bancário. pelo menos para paraísos financeiros como a Suíça. Nos Estados Unidos, as autoridades agora querem informações de outros de 52 mil nomes que teriam US$ 15 bilhões depositados em bancos suícos . Na Europa, os governos da Alemanha e da França pressionan a Suíça a se adaptar às regras financeiras da União Européia. A OCDE – Orgnização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico calcula em US$ 7 trilhões os depósitos em paraísos fiscais – dos quais um terço está em bancos suícos.

A Suíça esboça uma reação através da realização de um referendo para transformar o sigilo em lei constitucional – 70% da população, dizem as pesquisas, o aprova. Sem ele a praça financeira suíca será reduzida pela metade – setor que emprega 5% da força de trabalho e representa 16% da arrecadação de impostos.

A seguir um pequeno histórico do sigilo bancário suiço:

– surgiu em 1714 para guarar com segurança os recursos dos senhores feudais e dos proprietários de terras:

– no reinado de Luiz XVI, o último monarca absolutista, que foi guilhotinado em 1793, o ministro da Finanças da França era um banqueiro suíclo, chamad Necker;

– em 1931, o ditador Adolf Hitler promulgou uma lei instituindo a pena de morte para todos os cidadãos alemãos que mantivessem recursos não declarados fora do país. A Gestapo, sua polícia secreta, conduziu operações de espionagem em Genebra e Zurique;

– em 1934, o digilo bancário passou a fazer parte do código civil cuíço e clientes que tivessem seus nomes revelados por uma instituição financeira passaram a ter direito a indenizações do Estado;

– em 1984, o governo fez um plebiscito para consultar seus cidadãos sobre a conveniência de se manter ou não o segredo bancário. Mais de 73% dos suíços votaram a favor da manutenção.

Bibliografia:
Revista Isto É Dinheiro, edição 595 de 04 de março de 2009
Revista da Semana, edição 77 de 05 de março de 2009

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br