O golpe das pirâmides volta a atacar

Na semana passada um golpe conhecido na história econômica voltou a fazer vítimas no mundo moderno: as chamadas pirâmides.

Segundo divulgado na imprensa internacional uma esquema como esse operava já há vários anos na Colômbia. Para dar uma idéia de sua abrangênciam uma das empresas envolvidas a DFRE – Dinheiro, Rápido, Fácil e Efetivo contava com 66 lojas em 12 departamentos (estados), enquanto outra, a DMG tinha 59 estabelecimentos em 20 departamentos, possuindo cerca de 200 mil famílias afiliadas a seu sistema de carnês, que permitiam a compra de produtos abaixo do preço de mercado.

Nos últimos três anos funcionaram no país pelo menos 240 dessas companhias que arrecadaram US$ 800 milhões com o oferecimento de triplicar os fundos recebidos, mas que obviamente quebraram ao não poder cumprir sua oferta.

Uma questão interessante é como um esquema deste tamanho não chamou a atenção do governo colombiano e por quê medidas preventivas não foram tomadas. Atualmente já se investiga se empresas do esquema não financiaram campanhas políticas nas últimas eleições.

Apenas para relembrar em 1997, o colapso dos esquemas de pirâmide na Albânia provocou prejuízos de 2 bilhões de dólares e gerou uma onda de anarquia que obrigou à intervenção de uma força de paz européia, sob comando da Itália.

Em 1994 foi a vez da Albânia. O colapso do esquema em 1997 causou uma revolta popular armada, e o presidente Sali Berisha foi forçado a renunciar.

Até o Brasil entrou na “roda”. Nos anos 80 no Rio de Janeiro funcionou um esquema que parecia uma ação entre amigos onde cada novo participante financiava os ganhos dos antigos.

Nos anos 20 milhares de americanos foram lesados pelo esquema montado por Carlo Ponzi (que acabou dando nome a este tipo de “investimento”) que prometia dobrar o dinheiro dos investidores em apenas 90 dias.

Mais atrás, em 1720, a empresa de comércio britânica South Sea foi veículo para esquema semelhante, em que os rendimentos dos investidores eram todos garantidos pelos recursos captados com constantes emissões de novas ações. A crise teve enormes proporções em função do envolvimento de grande parte da população.

Também em 1720 temos outro caso bastante pitoresco, protagonizado por uma das figuras mais controversas da história econômica: o escocês John Law. Em 1716 este senhor obteve o direito de estabelecer um banco, que tronou-se o Banque Royale, com um capital de seis milhões de livres. Incluída na concessão, estava o direito de emitir notas, que foram usada pelo banco para pagar gastos correntes do governo francês. No entanto, era necessário também a criação de uma fonte de dinheiro vivo que garantisse a emissão dessas notas. A resposta veio com a fundação da emrpesa Mississippi Company que tinha o objetivo de explorar os depósitos de ouro no território americano da Lousiana. Claro que o ouro nunca chegou a ser procurado e todo o dinheiro foi canalizado para o pagamento das dívidas francesas até que um belo dia alguém desconfiou, o governo criou e todos os investidores perderam seu capital.

Moral da historia: não existe ganho fácil. Risco e retorno são irmãos gêmeos e sempre andam juntos. Mas quando um empreendimento promete dobrar os recursos investidos em poucos dias, ou oferece facilidades demais, pode ter certeza – alguma coisa está errada.

Bibliografia:

Galbraith, Joh, Kennet. Uma breve histpria da euforia financeira. São Paulo: Pioneira, 1992.

Kindelberger, Charles Poor. Manias, pânico e crashes. Rio de Janeiro: Nova Fronteis, 2000.

Gonçalves, Carlos. Economia sem truques. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

Por Alexsandro Rebello Bonatto em 27 de novembro de 2008.

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Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br