Muitas páginas de jornal e tinta foram gastos para tentar explicar a grave crise que estamos vivendo neste ano de 2008. Sem dúvida já é a pior experiência que a economia mundial viveu desde 1929.
Um ponto que parece que está sendo esquecido é: dentro de uma crise está sempre uma inovação, seja de produto, seja de processo produtivo, que em geral deixa algo de bom para o desenvolvimento econômico.
Como todos sabemos o homem é criativo em essência criativo, e é esse desejo de mudar, de transformar que já foi retratado tantas vezes no pensamento econômico como o “aninal spirit” de Keynes, a “destruição criativa” de Schumpeter ou o “greed” de Adam Smith (sob o ponto de vista de cuidar de seus próprios interesses, deixo bem claro).
Exemplos na história de crise que começaram com inovações criadas pelos agentes não faltam, como ilustração apresento três:
- Inglaterra de 1845: O surgimento da locomotiva a vapor criou uma febre, com reuniões em igrejas para levantar capitais. As perdas foram pesadas e há registros de suicídios, mas a malha ferroviária inglesa foi multiplicada por quatro entre 1840 e 1855, para 12,8 mil quilômetros;
- Anos 1990, a “bolha” da internet: sua repercussão mais conhecida é o prejuízo causado a investidores e à economia dos Estados Unidos. Mas os cabos ópticos enterrados no território americano geraram, e continuam a gerar, saltos de produtividade;
- Anos 2000, crise do “subprime” também ocorre na esteira de criações admiráveis. São produtos da engenharia financeira que permitiram a proliferação das operações imobiliárias e a aquisição da casa própria de um contingente da população que normalmente nem poderia sonhar com isso.
Portanto, o problema não reside na inovação e nas mudanças dos paradigmas produtivos e sim no uso que o homem faz dela.
Ao que parece o ser humano além da capacidade de inovar ele também é compelido pela ganância, um desejo irracional de ganhar sempre mais e mais, sem medir os meios e conseqüências.
Bem, no que se refere à crise do subprime já descobrimos onde isso vai dar….
Por Alexsandro Rebello Bonatto em 26 de novembro de 2008.
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