Inadimplência ainda preocupa segundo o CNDL

Responsável por medir o volume de operações de crédito em 800 mil estabelecimentos do varejo brasileiro, o indicador divulgado nesta terça-feira (16 de junho) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojista (CNDL) e pelo Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SPC) aponta que o número de consumidores inadimplentes caiu 11,28% em maio, ante abril, segundo dados divulgados ontem pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil. O levantamento tem base nos registros do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Segundo a CNDL, a queda decorre da recuperação do emprego e da melhora na massa salarial real, o que permitiu o pagamento das contas em dia. O resultado do ano ainda é ruim.

De janeiro a maio, a inadimplência aumentou 11,45% em relação ao mesmo período de 2008.

O SPC considera inadimplente o consumidor que deixa de pagar uma compra por 60 a 75 dias.

Análise do CNDL
De acordo com o presidente do CNDL, Roque Pellizzaro, o índice representa a maior variação de inadimplência já registrada pela entidade em períodos comparativos. “Qualquer variação na inadimplência que se aproxime de 5% já é de chamar a atenção. Por isso digo que é a maior alteração registrada até agora”, afirma Pellizzaro.

O desempenho negativo, ainda segundo Pellizzaro, foi provocado pela onda de desemprego registrada nos meses de novembro e dezembro do ano passado – epicentro da crise financeira no país – e a falta de confiança do consumidor, que deixou de honrar as contas para economizar e se prevenir contra o desemprego. O presidente do CNDL acredita que o varejo deve levar pelo menos dois anos para se recuperar.

A última pesquisa CNDL/SPC sobre inadimplência foi divulgada há cerca de um ano e meio. Nesse período, a entidade continuou a computar os números, mas não elaborou estudos sobre eles. Por isso não há como traçar um comparativo mensal sobre o comportamento dos consumidores. A partir desse mês, no entanto, a confederação promete divulgar mensalmente os índices sobre inadimplência no varejo. Até o final do ano, segundo Pellizzaro, será possível mapear a evolução de pendências por regiões e estados.

Em relação a abril, número foi positivo
Apesar do desempenho negativo no acumulado do ano, a inadimplência referente a maio diminuiu 11,28% em relação a abril deste ano. Os números refletem pendências registradas em fevereiro e março, uma vez que os lojistas têm prazo de um mês para notificar os consumidores e, em caso de não pagamento, incluir o CPF no cadastro do SPC.

Segundo a pesquisa, 74,40% dos inadimplentes estão na faixa de débito que vai até R$ 250. Já pendências com valor superior a R$ 500 ficam em 12,98%. A concentração de valores baixos é explicada pelo maior parcelamento de compras.

O maior número de registros no SPC por falta de pagamento, 56,87%, é de mulheres, e 43,13% de homens. Os maiores devedores, 27,27%, estão na faixa de 30 a 39 anos. Já o índice é menor, de 5,8%, entre as pessoas acima de 65 anos. O maior índice de inadimplência está nas dívidas até R$ 250, com 74,40% do número total. A CNDL explica que a concentração em valores baixos deve-se ao parcelamento das compras: quanto maior o número de parcelas, menor seu valor individual.

Recuperação de crédito
No mês de maio, ainda segundo levantamento da CNDL, houve uma queda de 13,18% no volume de cancelamentos de registros no SPC Brasil, na comparação com abril, o que representa a regularização dos débitos em atraso. Na comparação com maio de 2008, no entanto, houve um aumento de 22,02% nos cancelamentos de registros e, no acumulado de 2009, de janeiro a maio, o volume de cancelamentos subiu 10,97% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Esse resultado positivo deve-se, segundo a CNDL, também ao maior nível de confiança dos consumidores na recuperação da economia aliado ao aumento real do salário mínimo. Para continuar nessa tendência positiva, é importante, na opinião de Pelizzaro, que seja mantida a “empregabilidade e o nível de emprego e renda”.

Dos clientes que recuperaram o crédito no mês de maio, 55,54% foram mulheres e 44,46%, homens. Nesse cenário, compradores com idade entre 30 e 39 anos foram os que mais buscaram colocar as contas em dia.

Número de consultas
O número de consultas ao SPC para compras a prazo e pagamentos em cheque apresentou um crescimento de 11,46% em maio em relação a abril.

Segundo o presidente da CNDL, essa elevação deve-se, principalmente, ao aquecimento do consumo, por conta da comemoração do Dia das Mães, no mês passado, data que é considerada a segunda melhor de vendas para o comércio.

Na comparação com maio de 2008, o número de consultas cresceu 4,57% e, no acumulado de 2009 até maio, houve um aumento de 7,25%. Essa elevação, segundo a CNDL, é consequência da queda na taxa básica de juros, a Selic, e da melhora no poder de compra dos consumidores.

O indicador CNDL/SPC
O indicador é apurado com base na média de consultas ao banco de dados em todos os estados do país e o Distrito Federal. Atualmente, o cadastro de consumidores conta com aproximadamente 150 milhões de CPFs, entre pessoas com débitos ou que apenas tiveram o número consultado para compras de crédito, mas não apresentam pendências com o serviço de crédito.

O consumidor que tem o CPF registrado no SPC não pode fazer compras a prazo, não pode ser avalista, nem consegue obter financiamento em bancos e instituições financeiras.

Bibliografia
Jornal Estado de S. Paulo de 16 de junho de 2009
Site G1 em 16 de junho de 2009
Site Folha Online em 16 de junho de 2009.

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br