Globalização: Boa ou Ruim?

O processo de globalização trouxe consigo grandes avanços, não só em termos tecnológicos como também em termos científicos. Observamos o desenvolvimento aparente da informática, robótica, mesclas entre empresas com capitais de origens diversas (as multinacionais) que trazem a mistura cultural e intrinsecamente, geram as novas “necessidades” nos mercados.

E são essas necessidades que fazem com que as pessoas sintam-se cada vez mais absorvidas pela interação a que se propõe a globalização, quando então a conversa entre países, em termos comerciais e também em termos informativos, mostra-se possível, viabilizando acordos, enriquecendo culturas, modernizando as economias.

Mas a globalização não traz somente ganhos. Quando falamos em globalização fazemos referência a uma totalização, a uma comparação, e agora, em termos globais, mundiais. E é esse mecanismo comparativo que evidencia as diferenças. As diferenças entre os países pobres e os ricos, entre os países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos, provocando também a dependência entre eles.

Dependência sim, porque o pobre empresta do rico, e este torna-se sua meta. O desenvolvido suplanta o sub-desenvolvido, o que ironicamente cria uma relação de dependência não vista por aquele que tão somente vislumbra alcançar o sonhado desenvolvimento.

E é aí que a economia começa a mostrar seus pontos frágeis. A globalização gera desenvolvimento tecnológico, e este é acompanhado pelo desemprego estrutural, quando os indivíduos são substituídos pela tecnologia e então colocados à face do desemprego, mostrando claramente a falta de empenho político, que poderia criar mais condições sociais e de empregabilidade.

Contradições não faltam ao processo de globalização. Se os países menos desenvolvidos buscam apoio naqueles mais desenvolvidos, estes por sua vez vêem a abertura promovida pelo processo para explorar economicamente. E por essa exploração eu quero dizer exploração econômica. Os países com possibilidades financeiras instalam suas fábricas, suas empresas nos países pobres para lucrar. E novamente caímos aqui no desemprego, juntamente com a desestatização das empresas e dissolução do patrimônio.

É triste, lamentável, como algo que poderia ser utilizado para aumento de produtividade leva os ricos a ficarem mais ricos e os pobres a ficarem mais pobres.

O aumento da concorrência com a abundância de produtos que entram nos países com preços mínimos, gerando falências, perda de produtividade, e de novo, desemprego, problemas sociais.

E não acaba aí: a visão pessimista estende-se para os reflexos que sofrem os países que estão globalizados, integralizados, “unidos”, se é que se pode utilizar este termo. São reflexos das crises, dos abalos econômicos e sociais, das incertezas políticas. Tudo isso leva a variações nos mercados, provocando em outros resultados negativos.

Um exemplo é a crise norte-americana. Como dizer que tal crise não afeta o Brasil, não afeta outros países que possuem canal comercial aberto com os EUA? Crise lá, crise aqui. Mercado fechado lá, economia em alerta aqui. Será que não temos autonomia? Será que não conseguimos realmente nos posicionar de forma a mantermos nossa economia “protegida” dos efeitos catastróficos da globalização?

Há que se embutir consciência política no cidadão; este deve entender as falhas do governo que, cegamente conduzido pela atração causada pela globalização, que traz dinheiro, tira as estatais do sufoco financeiro, não é capaz de adotar medidas que preservem a economia interna, promovendo crescimento da renda e desenvolvimento social.

A sociedade precisa de um governo mais justo, mais transparente, que não se deixe atrair pelo doce sabor do dinheiro, do lucro, em detrimento das questões sociais. A pobreza, a fome, a exclusão social, são resultados muitas vezes do processo de globalização, que visa apenas o enriquecimento próprio.

O que faremos daqui 10 anos, caso a fome, o analfabetismo, continuar a crescer e marcar nosso país? Qual interesse a burguesia, que hoje é representada por uma minoria privilegiada, em contornar esse problema? Quem está pensando que esse cenário poderá mudar nossa economia? Quem está se preocupando em buscar soluções concretas no sentido da educação de qualidade, e não somente a educação comercial?

E a economia é que sofre. A economia é que responde a esse desrespeito social. O aumento do analfabetismo acompanhado pela queda da renda reflete-se na baixa produção, num menor movimento de mercado. É preciso tornar consciente a população. Os governantes devem ser compromissados no sentido de responder a todas essas questões de forma plausível, deixando de lado a corrupção, o nepotismo.

Mais uma vez os movimentos econômicos favorecem um grupo privilegiado. E a nação como um todo perde, como também perdem os países pobres.

O movimento criado pela globalização deve ser questionado. A consciência deve ser implantada para que possamos cobrar daqueles que nos representam soluções, respostas. Capitalismo selvagem? A que preço?

Autor: Alessandra Montebello

Economista (PUC/SP), com Mestrado em Economia (PUC/SP) e Especialização em Economia Internacional pela Universidade de Toronto-CA. Professora de Economia, Macroeconomia, Microeconomia, Economia Brasileira e Gestão Empresarial. Experiência de mais de 10 anos em Gerenciamento de Projetos, Planejamento Estratégico e Análises de Viabilidade-Econômica.

  • Mauricio

    http://www.youtube.com/watch?v=btE075p6Ypg

    Esse vídeo, apesar de ser em inglês sem legenda, é uma oportunidade de ouvirmos um dos mais respeitados líderes mundiais falando sobre globalização, tecnologia e mercados.

  • Roberto Gemeo

    Muitas outras questões podem ser feitas… a globalização é inerente ao mundo capitalista moderno, e não tem retorno… Simplesmente (se posso dizer assim) os paises têm que se adaptar a esse novo cenário economico. Melhor para aqueles que o fizerem primeiro

  • EU ODIEI ESSE BAGULHO FALO MANO.:PPPPPPP

  • Joysse Pâmella

    Até que a redação ficou legal, me ajudou um pouco.

  • thiago brito

    isso me ajudou a fazer um bom trabalho mais falta algumas coisas principalmente sobre o mal da globalização

  • thiago brito

    santarém pará