Efeitos da crise: os novos valores dos americanos

Um dos esportes preferidos do brasileiro é “rir da desgraça alheia”.

Não se faça de desentendido é com você mesmo que eu estou falando. Ou você nunca teve aquela sensação de vingança quando soube que o seu cunhado chato perdeu o emprego no último corte da EMBRAER?

Falando como nação, o brasileiro em geral adora “tirar uma casquinha”:
– A Argentina quebrou? Bem feito para eles.
– A família real britânica se meteu em mais uma confusão? São um bando de desordeiros mesmo.
– Descobriram mais uma foto insinuante da mulher do Sarkozi? Bem feito, ela devia se cuidar melhor.
E por aí vai.

Em tempos de crise, pelo menos podemos rir dos novos hábitos dos americanos: viver com menos, pechinchar, ficar em hotéis mais baratos, etc.

No mundo já se fala em novos valores, baseados na economia e na sustentabilidade. Valores esses, que qualquer brasileiro aprende antes de dizer “mamãe”. Para que você ria um pouco vamos elencar esses novos valores:

1) Frugalidade: representa o fim do consumo voraz, alimentado pelo crédito fácil e pela riqueza imediata. Gasta-se menos, poupa-se mais. Há pelo menos uma década o patamar de poupança dos americanos era de quase zero. Em novembro do ano passado subiu para 3%. Agora é de 8%.
Comentário sarcástico: Isso qualquer brasileiro de classe média já sabia.

2) Solidariedade: com o aumento do desemprego nos países ricos, está surgindo uma tendencia de união destas pessoas com dificuldades financeiras para que juntos encontrem opções e consolo.
Comentário sarcástico: isso nós pobres já fazermos há muito tempo, seja pelo lado das ONGs em comunidades carentes, seja pelo lado do incentivo ao trabalho voluntário.

3) menos consumismo: crescem os sites na internet de troca de produtos. Crescem também as organizações que promovem bazares de produtos muito baratos ou gratuitos.
Comentário sarcástico: é só ver as lojas de R$ 1,99.

4) invovação: com a crise dos países principais, as grandes empresas estão voltando seus olhares para soluções econômicas adotadas pelos países periféricos como India e Brasil.
Comentário sarcástico: que o brasileiro “tira água de pedra, todo mundo sabe”.

5) casas menores: de julho a setembro de 2008 a área média das construções caiu 7,3% em relação ao trimestre anterior, passando de 244 metors quadrados para 227 metros quadrados. É a primeira vez, em uma década, que houve tal redução.
Comentário sarcástico: qualquer um que já tenha morado numa casa popular entende de “casas menores”.

6) faça você mesmo: cursos de jardinagem, costura e serviços domésticos proliferam nos Estados Unidos. Grandes lojas, como a Home Depot, destinadas a vender peças de montagem doméstica ensinam os compradores a resoler tudo em casa.
Comentário sarcástico: qual é o brasileiro que não tem um pouco de mecânico, jardineiro, marcineiro, eletricista dentro dele?

Hoje sabemos que a crise já é de todos, mas ainda dá para “tirar uma casquinha” dos nossos “primos ricos”.

Bibliografia:
Revista da Semana, edição 80 de 26 de março de 2009

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br