E o governo da “marolinha” se mexe

Já entrou para o folclore popular a frase do presidente Lula em que ele considerava que a crise financeira internacional atingiria o Brasil apenas com uma “marolinha”.

Infelizmente os fatos comprovaram que ele estava errado…muito errado. A crise chegou e no Brasil mostra sua face mais cruel: o desemprego.

Apenas para ficar num dos fatos mais alarmantes, o fantasma do desemprego já atingiu até mesmo a classe média, representada por trabalhadores com salários considerados mais altos. Na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a Embraer, empresa que é considerada um exemplo de sucesso e produtividade anunciou a demissão de 4,2 mil funcionários de sua fábrica em São José dos Campos, o equivalente a 20% de sua força de trabalho. O corte atingiu até a sua estrutura gerencial, exatamente os funcionários com os melhores contra-cheques.

Mas a verdade seja dita, o Governo Brasileiro está se mexendo. Desde o final do ano passado, a equipe do presidente Lula já anunciou uma série de medidas que até o momento podem ser divididas da seguinte forma:

A primeira são as úteis. Nessa categoria, destaca-se a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. Atingido pelo choque da escassez de crédito, o setor, desde outubro de 2008, passou a conviver com produção em baixa, pátios cheios, férias coletivas e demissões. A partir da metade de dezembro o quadro começou a mudar. Com a diminuição dos impostos e a oferta de R$ 4 bilhões para as montadoras financiarem a compra de veículos, as vendas têm sido retomadas aos poucos. Operários que estavam em casa estão sendo chamados de volta às linhas de produção. Na semana passada, a Renault anunciou que vai reconvocar, até meados de março, quase metade dos seus mil funcionários que estavam com contratos de trabalhos suspensos. Na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, as medidas do governo ajudaram a manter o nível do emprego. “Sem elas, as empresas não teriam alternativa senão demitir mais gente”, diz.

No segundo grupo, estão as medidas bem-intencionadas, porém, na prática, inúteis. Enquadram-se nessa categoria as medidas tomadas pelo governo para aumentar a oferta de crédito pelos bancos. Com a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central em 1 ponto, havia a expectativa no governo de que os bancos passariam a emprestar a um custo menor. Mas isso não está acontecendo. Preocupados com os riscos de inadimplência e as incertezas sobre o comportamento da economia no futuro, os bancos continuam cobrando altas taxas de juros e impondo exigências rigorosas para a concessão de empréstimos. Um exemplo é a linha de crédito criada pelo governo para facilitar o financiamento da compra de material de construção. Em novembro, com esse objetivo, o governo liberou R$ 2 bilhões para a Caixa Econômica Federal. Desse total, metade apenas foi emprestada aos consumidores. “O acesso ao crédito está difícil, porque o banco exige aval e fiador”, diz Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). “Sem algum tipo de medida para diminuir o risco de calote nos bancos e que não encareça demais o empréstimo, não vai funcionar”.

A última categoria de medidas são os puros disparates. Até o momento, dizem os especialistas, registra-se apenas um caso desse tipo: a tentativa folclórica de exigir licenças de importação para mais da metade dos itens comprados pelo Brasil. O fiasco da iniciativa foi tão retumbante que, em menos de 48 horas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou seu fim. “Foi uma trapalhada digna de esquecimento. O Brasil, que briga por reduzir o protecionismo, não poderia ter embarcado nessa”, diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro.

O fato é que a atual crise encontrou um Brasil bem mais preparado que o da década de 90, onde um espirro em Wall Street já era certeza de uma pneomonia aqui. Hoje nossos números macroeconômicos já são bem melhores e o ambiente de negócios é mais sólido.

Contudo não podemos “baixar a guarda”, temos que segurar a “marolinha” para que ela não se transforme num “tsunami”.

Bibliografia:
Revista Época, edição 562 de 20 de fevereiro de 2009.

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br