Conceitos de economia e a crise

Em tempos de crise a classe dos economistas se parece com aquela personagem de uma música antiga de Chico Buarque, a Geni de Geni e o Zepelin, lembra? As letras são de um álbum de 1978, e o refrão era mais ou menos assim:

“Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa
de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni”

Tem ou não tem a ver com a atual situação dos economistas? Para os leigos a classe é a culpada de todas as mazelas, ou por não ter previsto a crise ou por não apresentar uma solução exequivel para ela.

Vou levantar a bandeira de defesa e dizer: pessoal, economista também é gente. OK, nós não previmos a crise, contudo nós nunca dissemos que o subprime era garantido.

Vou provar mostrando um pouco das definições que estão em todo livro-texto de economia:

Conceitos
Segundo a Wikipédia a Economia é a ciência social que estuda a produção, distribuição, e consumo de bens e serviços. O termo economia vem do grego para oikos (casa) e nomos (costume ou lei), daí “regras da casa (lar).”

Para Mankiw a Economia é o estudo da forma pela qual a sociedade administra seus recursos escassos. Na maior parte das sociedades os recursos não são alocados por um único planejador central, mas pelas ações combinadas de milhões de famílias e empresas. Os economistas, portanto, estudam como as pessoas tomam as decisões: o quanto trabalham, o que compram, quanto poupam e como investem suas poupanças.

Conforme Dornbusch a economia é o estudo de como a sociedade decide o quê, como e para quem produzir. A sociedade tem de resolver o conflito entre os desejos ilimitados por bens e serviços e a escassez dos recursos (mão-de-obra, máquinas, matérias-primas) com os quais são feitos os bens e serviços. A economia é a análise dessas decisões. O seu tema é o comportamento humano, o seu método é desenvolver teorias e testá-las com fatos.

Defesa dos economistas: a economia serve para elocar os recursos disponíveis e não para fazer mágica. Portanto, da próxima vez que o seu banco decidir conceder empréstimos para qualquer um que passe na frente da agência bancária, a saída é só uma: troque de banco.

A palavra chave no estudo da economia é a escassez. Em virtude da escassez, escolhas devem ser feitas. Por exemplo: você deve decidir como vai gastar seu tempo, a cidade deve decidir como vai usar seus terrenos, e nós, como nação, precisamos decidir de que maneira dividiremos nossa população entre as funções de ensino, de ciência, de cumprimento da lei, etc.

Defesa dos ecomistas: a missão da classe é buscar a melhor decisão possível a ser tomada sobre os recursos escassos. Se o seu banco acha que pode embrulhar um monte de empréstimos “podres” e embalar num único título “seguro” isso é problema do gerente, não tem nada a ver com a ciência econômica.

A economia deve responder a três perguntas:
– quais bens devem ser produzidos? Não é possível produzir dois bens distintos quando existem recursos produtivos para apenas um. Por exemplo: se um hospital dedicar seus recursos para a realização de mais transplantes do coração, disporá de menos recursos para o cuidado com bebês prematuros.

– como esses bens devem ser produzidos? Existem formas alternativas de produzir os bens que desejamos. Por exemplo: as empresas de utilidade pública podem produzir eletricidade como energia solar ou hidroelétrica. Os professores universitários podem ensinar um novo conceito a seus alunos por meio de extensas palestras ou de aulas curtas e exercícios.

– quem consome os bens produzidos? A sociedade como um todo precisa decidir de que forma seus produtos serão distribuídos para o consumo das pessoas. Se algumas ganham mais dinheiro que outras, deveriam consumir mais bens? Quanto dinheiro deve ser transferido dos ricos aos mais pobres?

Defesa dos economistas: nosso papel é decidir o que deve ser produzido, como produzir e para quem vender. Se você acha que sua casa valorizou de preço e que está na hora de fazer uma nova hipoteca para trocar de carro e fazer aquela viagem para a Europa, não temos nada a ver com isso.

Portanto, apesar da nossa vocação para Geni, antes de jogar a próxima pedra reflita um pouco e lembre-se do que aquele sábio já dizia: “Atire a primeira pedra, aquele que não tem pecado.”

Bibliografia:
Begg, Savid K. H. Introdução à economia: para cursos de Administração, Direito, Ciências Humanas e Contábeis/ David Begg, Stanley Fischer, Rudiger Dornbusch; tradução de Helaga Hoffmann. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

Mankiw, N. Gregory. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia/N. Gregori Mankiw; tradução de Maria José Cyhlar Monteiro. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br