Clique para NÃO destacar este registro Taxa SELIC e a escalação da seleção brasileira

Antigamente se dizia que todo o brasileiro era um pouco técnico da seleção brasileira: cada um tinha sua escalação dos sonhos e se acahava em condições iguais ao técnico escolhido pela CBF para discuti-la.

Hoje já se pode dizer que cada brasileiro é um pouco Presidente do Banco Central. E que cada um tem sua taxa SELIC do coração. Seria 11%:? Ou talvez 8%? Vamos deixar, quem sabe, em 5%?

Na semana passada, ante a retração de 3,6%, registrada no PIB do quatro trimestre de 2008, o COPOM (Comitê de Política Monetária) e não apenas o Presidente do Banco Central, reduziu em 1,5 ponto percentual a taxa básica de juros, a SELIC. Ela agora está em 11,25% ao ano.

Apenas no parágrafo acima acabamos com o primeiro mito, a SELIC não sai da cabeça de Henrique Meireles e sim de uma reunião de um comitê.

Mas afinal quem é o COPOM? Para que serve a SELIC? Por que tem esse nome?

Ao contrário do senso comum, o COPOM não foi criado “ontem”.

Quando foi criado o COPOM e seus objetivos
De fato ele foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. A criação do Comitê buscou proporcionar maior transparência e ritual adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open Market Committee (FOMC) do Banco Central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council, do Banco Central da Alemanha. Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC), assim como o Banco Central Europeu, desde a criação da moeda única em janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias em todo o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo decisório, a transparência e a comunicação com o público em geral.

O COPOM ganhou a relevância que tem hoje a partir de 1999, quando foi implantada a sistemática de “metas para a inflação” como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do COPOM passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. E ganharam repercussão como o anúncio da escalação feita pelo Dunga.

Formalmente, os objetivos do Copom são “implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o ””””Relatório de Inflação”””””.

Como são as reuniões do COPOM
As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de outubro do ano anterior.

Quem participa do COPOM
O COPOM é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil: o presidente, que tem o voto de qualidade; e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

O que significa SELIC
A sigla SELIC significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Trata-se de um sistema computadorizado, cujo responsável é o Banco Central, ao qual apenas instituições financeiras têm acesso.

O SELIC é o depositário central dos títulos da dívida pública federal interna. Ele registra todas as transações com duração de um dia útil (chamadas de over-night, no jargão financeiro) entre bancos, lastreadas exclusivamente em títulos públicos. Esses papéis são comercializados diariamente entre os bancos, com a adição de um custo que representa os juros. O sistema calcula a média ponderada dos juros dessas transações. O resultado do cálculo é conhecido como a taxa Over-SELIC (ou seja, a SELIC para um dia útil). Anualizada, ela representa a tão falada taxa SELIC.

Criado em 1979 pela ANDIMA, em parceria com o Banco Central, o SELIC é uma espécie de sistema eletrônico que processa o registro, a custódia e a liquidação financeira das operações realizadas com títulos públicos federais, garantindo segurança, agilidade e transparência nos negócios. O objetivo deste sistema é controlar e liquidar financeiramente as operações de compra e venda de títulos públicos federais e manter sua custódia física e escritural.

A criação da taxa SELIC é um pouco mais recente, a primeira meta foi divulgada em 5 de março de 1999. Antes dela, para fins de política monetária, o COPOM fixava a TBC (Taxa Básica do Banco Central).
O que é a taxa SELIC
Segundo o site do BACEN, a taxa de juros fixada na reunião do COPOM é a meta para a Taxa SELIC (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê.

Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do Banco Central para alterar, na direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as reuniões ordinárias.

Conforme Bruni, a taxa que remunera exclusivamente a liquidez é aquela ofertada pelo agente econômico de menor risco, sempre representado pelo governo da nação. No Brasil o agente é o governo federal e a taxa decorre das operações com títulos públicos, registrada no Sistema Especial de Liquidação e Custória (SELIC).

A determinção de um objetivo futuro para a taxa SELIC obedece o resultado de equações algébricas, que levam em consideração a comparação entre a inflação esperada e a meta de inflação, entre o produto potencial e o real, além de outras variáveis, como o câmbio. Os juros seguem o caminho da inflação esperada. Quando esta aumenta e supera a meta de inflação para o ano, o COPOM aumenta os juros. Naturalmente, a medida tem reflexos negativos na atividade econômica, pois gera diminuição da produção, elevando o desemprego e desaquecendo a demanda por produtos. O resultado esperado é a queda da inflação. Da mesma forma, quando a inflação esperada no ano se situa abaixo da meta da inflação, o BACEN tem espaço para diminuições na taxa SELIC. Com isso, ele aumenta a atividade econômicoa e a produção do país. Uma vez aquecidad a economia, há menos desemprego e maior demanda pelos produtos.

Portanto, a taxa SELIC é uma referência para a economia brasileira.

Porque a taxa SELIC influencia na taxa de juros cobrada pelos bancos
Já sabemos que o a SELIC determina se os juros serão altos ou baixos. Mas como se dá essa influência sobre as taxas cobradas pelos bancos do tomador final?

A taxa SELIC é a média de juros que o governo brasileiro paga por empréstimos tomados dos bancos (através da compra por parte dos bancos dos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, conforme visto acima).

Quando a SELIC aumenta os bancos preferem emprestar ao Governo porque ele é um bom devedor e nunca atrasa. Quando a SELIC cai, os bancos preferem emprestar dinheiro ao consumidor e conseguir um lucro maior, já que o governo está pagando juros menores em suas operações. Assim, quanto maior a SELIC, mais caro fica o crédito que os bancos oferecem aos consumidores.

Conclusão
Como se vê dicidir qual será a SELIC não é a exatamente mesma coisa que decidir quem é o atacante mais indicado para a seleção brasileira no próximo amistoso.

Portanto, antes de atirarmos uma pedra no Meireles é mais fácil continuar mirando no Dunga.

Bibliografia:
Bruni, Adriano Leal. Mercados Financeiros: para a certificação profissional ANBID 10 (CPA-10)
Apositla ANBID – Curso Preparatório Certificação Profissional ANBID – CPA 10
www.bcb.gov.br
www.veja.com.br
www.igf.com.br
www.portalbrasil.net

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br