Apresentando a teoria da informação assimétrica

Muito do “empoçamento” da liquidez nos bancos atualmente, encontra amparo técnico numa teoria que vem ganhando força entre os pensadores econômicos: a teoria da informação assimétrica. O mal que vem acometendo banqueiros de todo mundo é a diminuição do seu apetite por risco decorrente da dificuldade de encontrar informações suficientes que possam separar bons e maus pagadores.

Em função de sua atualidade, este artigo se propõe a apresentar a Teoria da Informação Assimétrica, identificando os problemas que podem se seguir em diferentes mercados, devido à diferença de informação existente entre duas partes relacionadas em uma transação econômica.

Na teoria econômica de um modo geral é assumido que os agentes econômicos estão cientes de todas as características dos bens e serviços que são adquiridos. Contudo, freqüentemente os mercados são marcados pela presença de assimetria de informações, ou seja, é impossível a um indivíduo determinar a qualidade de um bem antes do mesmo ser adquirido ou de forma similar, muito custoso monitorar o comportamento de um agente.

Segundo Stiglitz (2000) o reconhecimento que (i) a informação é imperfeita, (ii) que a obtenção de informação pode ser custosa, (iii) que as assimetrias de informação são importantes, e (iv) que a extensão desta assimetria é afetada pelas ações das firmas e dos indivíduos, teve uma implicação profunda na ciência econômica e tem fornecido explicações concretas para fenômenos sociais e econômicos que de outra forma seriam mais difíceis de serem compreendidos. Stiglitz ainda argumenta que a economia da informação tem direta e indiretamente um efeito profundo em como se pensa economia nos dias de hoje.

Para Stiglitz a principal mudança com a economia da informação foi o reconhecimento de que a informação era fundamentalmente diferente de outras “commodities”. Para ele a questão central é como apropriar os retornos do investimento em informação e conhecimento. Além disso, cada pedaço de informação é diferente de outro, um pedaço de informação não pode ser vendido como uma cadeira, conforme o exemplo apontado pelo autor. Um indivíduo pode olhar para uma cadeira e determinar suas propriedades antes de comprá-la. Mas se o vendedor de informação revela seu produto antes da venda, não há razão para o comprador pagar por ela. Além disso, enquanto um indivíduo pode repetidamente comprar e vender o mesmo produto da mesma loja, cada pedaço de informação, por definição, é diferente de outros pedaços de informação (de outra forma não seria uma nova informação). Neste caso mercados com informação assimétrica são inerentemente imperfeitos, onde questões como reputação e garantia podem fazer toda a diferença.

Inicialmente faz-se necessário alguns conceitos: toda informação que é conhecida por todos ou verificável por todos é denominada como informação pública; em contrapartida, informação privada é aquela que é que é privadamente observada, ou seja, apenas alguns Agentes têm conhecimento acerca dela a outros não.

A existência de informação privada é responsável pela ocorrência de informação assimétrica nos mercados e leva à elaboração de contratos incompletos. Os contratos estão presentes na economia servindo de instrumento regulador entre as partes de uma transação. Por contrato ótimo compreendemos aquele que especifica qualquer tipo de eventualidade que possa vir a ocorrer.

Segundo Kirmani e Rao (2000) a abordagem da economia da informação é baseada na premissa que diferentes partes de uma transação geralmente têm diferentes quantidades de informação sobre a transação, e esta assimetria de informações tem implicações durante o relacionamento entre as partes. Conforme os autores, o problema de informação é reconhecido como sendo uma importante consideração a ser feita no estudo das trocas de mercado realizado pelas disciplinas de contabilidade, finanças, economia do trabalho e pelo marketing.

Para Macho-Stadler e Perez-Castilho (1997) o objetivo da economia da informação é estudar situações nas quais os Agentes procuram superar sua ignorância sobre uma informação relevante, tomando decisões desejadas para adquirir novas informações ou para evitar custos de sua ignorância. Quando a informação é assimetricamente distribuída entre os Agentes estas decisões envolvem a estruturação de contratos que buscam promover incentivos para induzir a revelação de informações privadas.

Para Stigliz (2000) existem muitos problemas de informação presentes na economia. Ele cita alguns: empregadores querem conhecer a produtividade de seus empregados, seus pontos fortes e fracos, investidores querem saber o retorno de vários ativos em que poderiam investir, companhias de seguro querem saber a probabilidade de seus segurados se acidentarem ou ficarem doentes. Estes são exemplos de problemas de seleção adversa, onde o que importa são as características dos itens que são transacionados.

Stiglitz salienta que, além disso os empregadores também querem saber se seus empregados estão se esforçando no trabalho, as companhias de seguro querem saber se seus segurados estão se prevenindo contra acidentes, os credores querem conhecer os riscos que seus devedores estão assumindo. Estes são exemplos de problemas de incentivo ou risco moral, que focam no comportamento dos Agentes.

Portanto, numa transação econômica sempre existe um desequilíbrio entre quem está comprando e quem está vendendo. Especificamente, no mercado de crédito por exemplo, o banqueiro não sabe diferenciar quem pretende pagar ou não o empréstimo tomado. Em situações onde o problema de assimetria não encontra solução, transações não são concretizadas acarretando prejuízos a compradores e vendedores, ou bancos e tomadores de empréstimo.

Num cenário de crise, onde a confiança entre as partes está ameaçada, os negócios ficam suspensos temporariamente, até que informação de melhor qualidade torne-se disponível separando projetos mais arriscados e de má qualidade de projetos mais sólidos e portanto, com risco menor.

Sob o ponto de vista da assimetria de informação, a atual crise do subprime só será controlada quando for re-estabelecida a confiança entre os agentes, fazendo com que o apetite por risco dos bancos voltem aos níveis normais. Sempre lembrando que isso acontecerá normalmente via mercado e não através de indução governamental, como essa que o governo brasileiro se propôs nas últimas semanas.

Bibliografia:

KIRMANI, Amna e RAO, Akshay. No Pain, No Gain: A Critical Review of the Literature on Signalling Unobservable Product Quality. Journal of Marketing vol.64, 2000, p. 66-79.

STADLER, Inés Macho e CASTILHO, David Pérez.. An Introduction to the Economic of Information. New York: Oxford University Press, 1997.

STIGLITZ, Joseph E.. The Contributions of the Economics of Information to Twentieth Century Economics. Quaterly Journal of Economics v. 463, 2000, p. 1441-79.

Por Alexsandro Rebello Bonatto em 04 de dezembro de 2008.

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Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br

  • bruno

    gostei muito quero ler mais vezes