A vingança do Bovespa

A crise que atingiu o pior momento no fim do ano passado aterrorizou os investidores da Bolsa de Valores, que encerrou 2008 com o pior índice desde 1972, amargando queda de 41,22%.

Mas nada como um dia após o outro.

A Bolsa de Valores foi pelo segundo mês consecutivo o melhor investimento, superando com folga aplicações mais populares, como poupança e fundos de renda fixa em abril.

Investidores que aplicaram seus recursos em dólar e ouro (opções, digamos “mais seguras” em momentos de crise), tiveram o dissabor de perder até para a inflação do mês.

O índice de ações Ibovespa, referência para boa parte dos fundos de renda variável, ficou 15,55% mais alto em abril. Trata-se da maior disparada do índice desde fevereiro de 2005, explicada principalmente pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a Bolsa brasileira.

Os fundos de renda fixa e do tipo “DI” apresentaram retorno médio de, respectivamente, 0,62% e 0,72% neste mês, segundo cálculo da Anbid (associação dos bancos de investimento), com dados atualizados até o dia 27. Aplicação mais popular do país, a poupança teve rentabilidade de 0,54%.

Esses investimentos ainda conseguiram proporcionar aos aplicadores ganho acima da inflação do mês, que foi de 0,36%, se medida pelo IPCA-15 (que reflete o consumo para famílias com renda até 40 salários mínimos). O retorno foi ainda maior se considerado o IGP-M, utilizado para o reajuste de aluguéis, que em abril apontou deflação de 0,15%. O quadro muda, no entanto, considerando os investimentos em alguns dos ativos financeiros mais arriscados do mercado: dólar e ouro.

Investidores que apostaram na moeda americana viram suas economias encolherem 5,92% neste mês, considerando a cotação formada no mercado à vista. A commodity metálica teve desempenho ainda pior: a cotação da commodity negociada na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) caiu 7,22%.

A Bolsa e as aplicações mais conservadoras ainda conseguiram ganhar da inflação do quadrimestre, que foi de 1,51% pelo IPCA-15. Pelo IGP-M, houve deflação, na verdade, de 1,07%. Dólar e ouro, outra vez, perderam. A cotação da moeda americana retraiu 6,55% entre janeiro e abril, enquanto o preço da commodity metálica ficou 2,50% mais baixo.

Da mesma forma, o Ibovespa encabeça o ranking do ano, com ganhos acumulados de 25,94%. A seguir estão, os CDBs com mais de R$ 100 mil, cuja rentabilidade chega a 3,07%. No último lugar está o dólar comercial, com perdas de 6,3%.

A bolsa brasileira foi beneficiada em abril pela melhora da conjuntura internacional. Indicadores econômicos de vários países apresentaram evolução no mês, o que tem levado alguns analistas a afirmar que o fundo do poço da crise ficou para trás.

Com isso, muitos investidores já saíram à caça de oportunidades de aplicações mundo afora. Nesse contexto, a bolsa brasileira ganhou destaque porque o desempenho econômico do País está relativamente melhor do que o de outros emergentes, os preços das ações caíram fortemente aqui entre outubro e dezembro e o Brasil é um grande produtor de commodities (a demanda por matérias-primas é uma das primeiras a crescer em períodos de recuperação).

Para se ter uma ideia, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira em abril estava positivo em R$ 3,75 bilhões no acumulado até o dia 28 (último dado disponível). No ano, o superávit era de R$ 5,1 bilhões.

Bibliografia:
Jornal O Estado de São Paulo de 01 de maio de 2009
Site Folha On Line em 30 de abril de 2009
Site ClicRBS em 03 de maio de 2009

Autor: Alexsandro Rebello Bonatto

Sou economista, especialista em Economia e Finanças com MBA em Gestão Empresarial. Sou professor de economia de um curso de Tecnologia e sócio de uma consultoria especializada em treinamentos corportivos. Meu trabalho pode ser conferido no site: www.venturacorporate.com.br