Investir em Poupança, CDB, LCA, LCI ou LCA?

Poupança nem sempre é a melhor opção

Antes de prosseguir a leitura, clique aqui e faça o download da planilha, e de forma simples, simular e comparar alternativas de investimentos aqui abordadas.

O atual cenário da economia brasileira, caracterizado por altas taxas de inflação e de juros e baixo crescimento da economia, investir na poupança deixou de ser um investimento com rendimentos garantidos, em muitos meses, a variação da inflação (IPCA) superou o rendimento da poupança. E o que isso quer dizer? Quer dizer que se você tem R$ 1.000,00 na poupança e o rendimento da poupança no período foi de 0,50% ao mês e a inflação foi de 0,60% ao mês, quer dizer que você ficou R$ 1,00 mais pobre (1000 + 0,5% – 1000 + 0,6%), uma vez que seu dinheiro perdeu poder de compra para inflação,  parece pouco mais imagina isso no acumulado de 1, 2 ou 3 anos, ou pense no custo de oportunidade de teimar em aplicar na poupança, você deixou de ganhar em outras aplicações para perder dinheiro lá.

Uma das alternativas pra minimizar os efeitos da inflação e obter rendimentos superiores ao da poupança correndo o mesmo risco, é aplicar em CDBs, LCIs e LCAs. Como veremos a seguir.

Antes de prosseguir vamos deixar claro que poupança tem risco sim, o mesmo risco que investir em CDB, LC, LCI e LCA, apesar de baixo o risco, caso o banco quebre, você será indenizado em até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC  por banco e por CPF. Portando não se iluda em achar que poupança é um investimento totalmente seguro.

Então, já que a poupança, CDB, LC, LCI e LCA tem o mesmo risco de crédito, ou seja, ambos correm o risco de quebra do banco e são garantidos pelo FGC  e esses três últimos apresentam uma rentabilidade muitas vezes superior ao da poupança, com certeza é mais interessante investir em CDBs, LCs, LCIs e LCAs. A seguir vamos conhecer um poupo desses produtos de investimento.

Certificado de Deposito Bancário (CDB) – É um empréstimo do investidor ao banco que emite o papel, quanto maior o banco, mais “seguro” o empréstimo. Não paga taxa de administração, isento de IOF após 30 dias, porém paga Imposto de Renda (IR), (conforme tabela abaixo), e é garantido pelo FGC.

Alíquota IR % Prazo
22,5% Até 180 dias
20,0% De 181 a 360 dias
17,5% De 361 até 720 dias
15,0% Acima de 720 dias

Letras de Câmbio (LC) – Apesar do nome, este investimento não tem nenhuma relação com o dólar ou com outras moedas internacionais. As letras de câmbio são, na verdade, uma espécie de CDB emitidos pelas financeiras. Assim como o CDB, a LC, não paga taxa de administração, isento de IOF após 30 dias,  Imposto de Renda (IR) conforme tabela acima e é garantido pelo FGC.

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de  Crédito do Agronegócio (LCA)

São títulos de crédito que têm como garantia financiamentos imobiliários ou financiamentos agrícolas.

Não há incidência de IR nem de taxa de administração e ambos são garantidos pelo FGC.

Qual Investimento é mais vantajoso?

Os fatores que vão definir o investimento mais vantajoso serão o percentual do DI que o banco paga para o CDB, LCI e LCA, e o prazo de  aplicação, uma vez que o CDB paga IR de forma decrescente no momento do resgate.

Para melhor compreensão farei duas simulações tentando demonstrar de maneira mais realista o percentual do DI que os bancos de médio e grande porte pagam para investi-los.

CDI: 0,86% ao mês e Poupança 0,60% o mês 04/09/2014

Exemplo¹:  Imagine um de um banco de médio-grande porte que paga 90% da taxa CDI para um CDB e 85% do CDI para aplicações em LCA e LCI e você tem R$ 1.000,00 para aplicar, e pretende resgatar o dinheiro daqui a 60 dias (2 meses).

Poupança

Formula juros compostos M = P . (1 +  i)n  M = Montante C = Capital Inicial i = Taxa de juros n = Tempo.

Logo   [1000 x (1 + 0,006)²]   = [1000 x 1,0012036] = R$ 1.012,04.

CDB ou LC – 90% do CDI = [0,86*0,90] logo o rendimento será de 0,774% ao mês.

[1000 x (1 + 0,00774)²]  =    [1000 x 1,0155] = 1015,54

[15,54 – 22,5% de IR (ver tabela acima)]              [15,54 – 3,50] =  12,04

logo 1000 + 12,04 = R$ 1.012,04.

LCI ou LCA – 85% do CDI = [0,86*0,85 ] logo o rendimento será de 0,731% ao mês

[1000 x (1 + 0,00731)²]  =    [1000 x 1,01467] = R$ 1.014,67

Exemplo²:  O mesmo exemplo acima, porém você pretende resgatar o dinheiro daqui a 360 dias (12 meses).

Poupança – [1000 x (1 + 0,006)¹²]   = [1000 x 1,074424] = R$ 1.074,42.

CDB ou LC – 90% do CDI = [0,86*0,90] logo o rendimento será de 0,774% ao mês

[1000 x (1 + 0,00774)¹²]   = [1000 x 1,09694] = 1096,94

[96,94 – 20% de IR (ver tabela acima)]            [96,94 – 19,39 = 77,55]

logo 1000 + 77,55 = R$ 1.077,55

LCI ou LCA – 85% do CDI = [0,86*0,85 ] logo o rendimento será de 0,731% ao mês

[1000 x (1 + 0,00731)¹²]  =    [1000 x 1,091334] = R$ 1.091,33

Vimos que nas duas simulações investir em LCA e LCI é mais interessante para o investidor, uma vez que rende mais que a poupança e o CDB além de ser isento de IR e possuir o mesmo risco dos demais.

Devemos deixar claro que o LCI e LCA foram mais rentáveis nesses cenários acima, portanto não é regra que LCI e LCA serão sempre a melhor alternativa de investimento. O investidor deve estar atento ao prazo que pretende resgatar o investimento, para poder analisar a alíquota do IR (no caso do CDB) e principalmente o percentual do CDI que o banco está disposto a pagar para cada um dos produtos financeiros.

Vale lembrar que o Gerente de Banco nem sempre lhe indicará a melhor opção de investimento, visto que ele é um funcionário do banco e tem metas para cumprir, e muitas vezes não tendo conhecimento suficiente para tratar de investimentos e esclarecer suas duvidas, por isso é fundamental pesquisar antes seu perfil de investidor (tolerância ao risco, horizonte de tempo, idade e etc), para ir ao banco já com os tipos de investimentos em mente que lhe interessa e comparar taxas do CDI que o banco paga para cada um, ver também se há taxas de administração e outras taxas quando se tratar de outros investimentos (fundos, planos de previdência e etc). E assim tomar a decisão de investimento que maximiza seu perfil.

Conheça meu blog sobre Economia & Mercado clicando aqui.

REFERÊNCIAS

INFOMONEY. <http://www.infomoney.com.br/lci-lca> Acesso em: 04/09/2014.

CETIP. <http://www.cetip.com.br> Acesso em: 04/09/2014.

Aplicando o Value at Risk VaR na BOVESPA: Exemplo Prático no Excel

VEJA O TEXTO COMPLETO CLICANDO AQUI

Value at Risk (VaR) ou valor em risco mede a pior perda esperada, dado um nível ao longo de determinado intervalo de tempo, sob condições normais de mercado e dentro de determinado nível de confiança. Portanto, para o cálculo do VaR são necessários os seguintes parâmetros: horizonte de cálculo; nível de significância; e preços e taxas relacionados ao portfólio.

 

var

 

Conforme mostra a Figura, o  VaR representa o valor mínimo dentro do intervalo de confiança de 95%. Em outras palavras, para uma amostra de 100 retornos, o VaR refere-se ao nonagésimo quinto menor retorno, havendo somente 5 retornos com valores abaixo dele. É o limite máximo de perda, considerando os 95% dos retornos, dado um horizonte de tempo.Para melhor compreensão, suponha que determinada carteira, com valor de mercado de R$ 5 milhões tem um VaR de 1%, para o horizonte de tempo de 1 dia, com intervalo de confiança de 95%, estamos dizendo que: A cada 100 dias esperamos que em 95 dias não teremos perdas maiores que 1% de um dia para o outro.Desta forma, podemos também dizer que, a possibilidade de ocorrência de perdas diárias maiores do que R$ 50.000,00 (5 milhões x 1%), prevista pelo VaR, é de 5 dias a cada 100 dias, ou seja, em 5 de cada 100 dias pode-se esperar perdas diárias maiores que 1%.

Exemplo prático VaR como medida de risco

Buscaremos aplicar de forma simples e prática a utilização do VaR para medir o risco de uma carteira ações. Para facilitar o exemplo vamos considerar que temos um lote padrão de ações (100 ações) de cada empresa na composição da carteira. Utilizaremos o VaR com um intervalo de confiança de 95% para estimar a perda máxima diária desta carteira. E por fim testaremos a eficácia do VaR por meio do Backtesting.Neste estudo coletamos dados históricos de quatro ações aleatórias do índice Bovespa: Bmf&Bovespa (BVMF3), Petrobrás (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Vale (VALE5), do dia 31 de Outubro de 2011 à 29 de Dezembro de 2011, como mostra a tabela abaixo (clique aqui para DOWNLOAD  da planilha). Note que no primeiro dia do estudo, temos uma carteira de ações com o valor de mercado de R$ 9.862,00 conforme a coluna “valor” da tabela 3, ou seja, a soma da cotação das respectivas ações multiplicadas por 100. Na ultima coluna “variação” temos a variação diária desta carteira em termos percentuais com base no dia anterior.

CONTINUE LENDO CLICANDO  ——->>>>> AQUI

Brasil: um País Caro

Dos anos 2000 em diante verificamos um movimento quase que constante da valorização do Real frente ao Dólar. Só para se ter um ideia, em 2002 a cotação dólar chegou perto de bater a marca de 4 reais por dólar, hoje a cotação gira em torno de R$ 1,75 a 1,85.

Só que não devemos limitar nossa observação só na valorização nominal da moeda brasileira frente ao Dólar nos últimos anos, ao verificarmos a inflação brasileira em relação à americana, de 2002 para cá, constatamos que a nossa inflação acumulada é bem maior, ou seja, descontando a inflação de ambos os países nos temos uma valorização ainda maior da nossa moeda com a moeda americana.

Aplicando o CAPM na BOVESPA: Exemplo Prático no Excel

INTRODUÇÃO

Neste estudo vou explicar de forma simples, como calcular no Excel e/ou no Stata, os coeficientes Betas, de ações do IBOVESPA, por meio do Modelo CAPM, utilizando um exemplo prático de um ativo que compõe o índice.

Para facilitar o entendimento disponibilizei a planilha deste estudo para DOWNLOAD.

Na primeira etapa há uma breve introdução teórica sobre o modelo CAPM, e mais a frente estudamos um ativo num dado período para calcularmos seu risco (Beta).

1.0 CAPM

Desenvolvido nos anos 60 por Willian Sharpe, John Lintner, Jack Treynor e Ian Mossim, o Capital Asset Pricing Model (CAPM), é um modelo de precificação de ativos que busca demonstrar, de maneira objetiva, o relacionamento da rentabilidade esperada de um ativo qualquer num mercado em equilíbrio, com o risco não diversificável demonstrado pelo coeficiente beta.

A equação do CAPM é conhecida da seguinte forma:

R Rf + b ´ (Rm Rf)

Onde: R – Retorno esperado de um ativo, Rf – taxa livre de risco, Rm – retorno esperado do mercado, b coeficiente beta.

Quando o beta do ativo avaliado for menor que 1, ele poderá ser classificado como defensivo. Pois à medida que o mercado vier a sofrer baixa ou alta, o preço do ativo também sofrerá baixa ou alta menos que proporcional; ou seja, se o mercado sofrer baixa ou alta de aproximadamente 1%, o preço do ativo individual tenderá a sofrer queda ou alta menor que 1%. Quando o beta do ativo avaliado for igual a 1, pode-se dizer que esse ativo é neutro, demonstrando que há uma correlação perfeita entre as taxas de retorno do ativo individual e as taxas de retorno do mercado como um todo; ou seja, quando o mercado sofrer baixa ou alta de 1%, o preço do ativo individual tenderá a sofrer baixa ou alta de 1%. Quando o beta do ativo avaliado for maior que 1, este poderá ser classificado como agressivo, significando que, à medida que o mercado sofrer baixa ou alta, o preço do ativo também sofrerá baixa ou alta mais que proporcional, ou seja, se o mercado sofrer baixa ou alta de aproximadamente 1%, o preço do ativo individual tenderá a sofrer baixa ou alta maior que 1%.

Embasado nesta teoria, estudaremos a seguir um exemplo prático de uma ação do índice BOVESPA, e analisar o risco (beta).

2.0 Análise Prática BVMF3

Neste estudo, coletamos dados de cotações históricas do ativo BVMF3 (clique aqui para ter acesso a cotações históricas), do Índice Bovespa (Neste site), e da taxa CDI over da CETIP (disponibilizadas neste site), entre dia 02/08/2010 a 17/11/2010.

Utilizamos a taxa CDI Over (diária) como taxa livre de risco e o IBOV diário como benchmark. Para isso coletamos dados no período conforme a Coluna A do quadro abaixo, levando em consideração somente os dias úteis, na coluna B temos o histórico da cotação da BVMF3, e na C temos a taxa do CDI diário mais 1.


CONTINUE LENDO AQUI: http://marketseconomy.blogspot.com.br/2012/04/aplicando-o-capm-na-bovespa-exemplo.html

ENTENDA: Brasil Importa Inflação dos EUA

A expressão “guerra cambial” cunhada pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega, é cada vez mais freqüente nos noticiários e na pauta das reuniões internacionais dos Chefes de Estado. A política americana de moeda fraca adotada nos últimos quatro anos a fim de equilibrar sua balança comercial fez com que o dólar se desvalorizasse frente às demais moedas.

No Brasil, o real se valorizou 108% frente ao dólar americano durante o governo Lula. Esta valorização preocupa o governo brasileiro por prejudicar as contas externas, pois o real valorizado deixa os produtos brasileiros mais caros no exterior, prejudicando os exportadores, estimulando as importações em detrimento das exportações.

Durante a crise de 2008/2009 a fim de salvar os grandes bancos e empresas da falência e resgatar a economia americana da recessão, o FED adotou uma política monetária expansionista, injetou trilhões de dólares no mercado por meio de compra de títulos públicos (US$ 1,725 trilhões, por enquanto) e privados e pela expansão do crédito. O dólar por ser uma moeda de aceitação mundial, não se limita só ao mercado norte americano e o excesso de dinheiro que o FED coloca no mercado acaba inundando outras áreas pelo mundo, onde a moeda americana busca remuneração principalmente em moedas de países emergentes e em commodities.

O problema que as economias emergentes de câmbio flutuante se defrontam é que para conter a valorização de suas moedas, elas são obrigadas a tomar medidas que impactam nas suas contas publicas, e mais gastos públicos geram pressões inflacionárias.

Para ficar mais claro vamos analisar o que ocorre aqui no Brasil.

Com a constante valorização do real frente ao dólar, o BC brasileiro intervém no mercado financeiro a fim de diminuir e/ou evitar que a valorização do real seja mais intensiva, estas intervenções são feitas por meio do acumulo de reservas internacionais, compra de dólares no mercado à vista, swaps cambiais, aumento do IOF para investimento estrangeiro entre outras.

Só que manter tais reservas internacionais (hoje na casa dos US$ 300 bilhões) custa muito caro aos cofres públicos, estima-se cerca de R$ 26 bilhões por ano, equivalente a 1% do PIB brasileiro de 2010, 2,5 vezes o que o governo gasta com o Programa Bolsa Família. Isso ocorre porque ao manter essa poupança externa, é necessário aumentar o endividamento público por meio de emissões de Títulos do Tesouro, cujas taxas de juros são muito superiores aos dos títulos do tesouro americano, onde se concentram a maior parte das reservas internacionais brasileiras aplicadas no exterior, ou seja, emite títulos públicos com taxas próximas de 9% ao ano para aplicar nos EUA a taxas menores que 1,9%.

Os elevados custos para manter as reservas internacionais, junto com o aumento da cotação das commodities e demais fatores, geram fortes pressões inflacionárias aqui no Brasil, portanto o BRASIL IMPORTA INFLAÇÃO DOS EUA. O FED ao colocar dólares no mercado para estimular a economia americana esta de certa forma exportando sua inflação para o resto do mundo. O Brasil por ser uma economia com elevadas taxas de juros, boa perspectiva de crescimento, valorização dos ativos e estabilidade econômica, é uma ótima opção para investidores e especuladores que buscam remuneração para seus dólares, o que faz o Brasil ser um receptor desses recursos.

João Carlos Simionato 10/01/2011