A vingança do Bovespa

A crise que atingiu o pior momento no fim do ano passado aterrorizou os investidores da Bolsa de Valores, que encerrou 2008 com o pior índice desde 1972, amargando queda de 41,22%.

Mas nada como um dia após o outro.

A Bolsa de Valores foi pelo segundo mês consecutivo o melhor investimento, superando com folga aplicações mais populares, como poupança e fundos de renda fixa em abril.

Investidores que aplicaram seus recursos em dólar e ouro (opções, digamos “mais seguras” em momentos de crise), tiveram o dissabor de perder até para a inflação do mês.

O índice de ações Ibovespa, referência para boa parte dos fundos de renda variável, ficou 15,55% mais alto em abril. Trata-se da maior disparada do índice desde fevereiro de 2005, explicada principalmente pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a Bolsa brasileira.

Os fundos de renda fixa e do tipo “DI” apresentaram retorno médio de, respectivamente, 0,62% e 0,72% neste mês, segundo cálculo da Anbid (associação dos bancos de investimento), com dados atualizados até o dia 27. Aplicação mais popular do país, a poupança teve rentabilidade de 0,54%.

Esses investimentos ainda conseguiram proporcionar aos aplicadores ganho acima da inflação do mês, que foi de 0,36%, se medida pelo IPCA-15 (que reflete o consumo para famílias com renda até 40 salários mínimos). O retorno foi ainda maior se considerado o IGP-M, utilizado para o reajuste de aluguéis, que em abril apontou deflação de 0,15%. O quadro muda, no entanto, considerando os investimentos em alguns dos ativos financeiros mais arriscados do mercado: dólar e ouro.

Investidores que apostaram na moeda americana viram suas economias encolherem 5,92% neste mês, considerando a cotação formada no mercado à vista. A commodity metálica teve desempenho ainda pior: a cotação da commodity negociada na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) caiu 7,22%.

A Bolsa e as aplicações mais conservadoras ainda conseguiram ganhar da inflação do quadrimestre, que foi de 1,51% pelo IPCA-15. Pelo IGP-M, houve deflação, na verdade, de 1,07%. Dólar e ouro, outra vez, perderam. A cotação da moeda americana retraiu 6,55% entre janeiro e abril, enquanto o preço da commodity metálica ficou 2,50% mais baixo.

Da mesma forma, o Ibovespa encabeça o ranking do ano, com ganhos acumulados de 25,94%. A seguir estão, os CDBs com mais de R$ 100 mil, cuja rentabilidade chega a 3,07%. No último lugar está o dólar comercial, com perdas de 6,3%.

A bolsa brasileira foi beneficiada em abril pela melhora da conjuntura internacional. Indicadores econômicos de vários países apresentaram evolução no mês, o que tem levado alguns analistas a afirmar que o fundo do poço da crise ficou para trás.

Com isso, muitos investidores já saíram à caça de oportunidades de aplicações mundo afora. Nesse contexto, a bolsa brasileira ganhou destaque porque o desempenho econômico do País está relativamente melhor do que o de outros emergentes, os preços das ações caíram fortemente aqui entre outubro e dezembro e o Brasil é um grande produtor de commodities (a demanda por matérias-primas é uma das primeiras a crescer em períodos de recuperação).

Para se ter uma ideia, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira em abril estava positivo em R$ 3,75 bilhões no acumulado até o dia 28 (último dado disponível). No ano, o superávit era de R$ 5,1 bilhões.

Bibliografia:
Jornal O Estado de São Paulo de 01 de maio de 2009
Site Folha On Line em 30 de abril de 2009
Site ClicRBS em 03 de maio de 2009

Indústria: sinais de “o pior já passou”

Já existe no Brasil sinais (fracos é verdade) de que o pior já passou. A despeito do que pensam os mais pessimistas, o setor produtivo brasileiro parece estar dizendo “chega de crise” e que já é hora de voltar a vida normal.

Um bom exemplo é a indústria brasileira que apresentou recuperação no primeiro trimestre deste ano, após queda generalizada nos pedidos recebidos em dezembro. O nível de estoques da indústria brasileira já está muito próximo de sua média histórica, segundo dados divulgados hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na pesquisa Sondagem da Indústria de Transformação. No mês de abril, os estoques atingiram 88,4 pontos no levantamento – a variação é de 0 a 200 pontos e a média histórica é de 91,9 pontos.

O mapeamento feito revela que a retomada da demanda está concentrada na produção de bens cujo consumo depende da renda do trabalhador, como alimentos, e da indústria automobilística, que teve o corte de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) renovado.

Neste mês de abril, do total de 1.061 empresas consultadas, 15,7% delas apontaram a existência de estoques excessivos, bem menos que os 21,8% do mês de janeiro. Outro dado que pode ser interpretado como o fim do período de ajuste da indústria é que 4,1% dos empresários responderam que já possuem estoques insuficientes para a demanda. Esse indicador era de 1,8% em março e chegou a 0 nos meses janeiro e novembro.

Desde o início da atual crise, o maior nível de estoques foi verificado no mês de janeiro, quando o indicador da FGV apontou 78,2 pontos, mas, já em fevereiro, voltou aos 82,6 pontos.

Entre os setores que já apresentam estoques abaixo de sua média histórica, estão produtos têxteis e farmacêutico. Em situação equilibrada, estão vestuário e calçados, material de transporte, química, matérias plásticas, minerais não-metálicos e metalúrgica.

Com sobras de estoque, aparecem, em primeiro lugar, mecânica, fortemente influenciada pela indústria de bens de capital, papel e celulose, material elétrico e de comunicações e, surpreendentemente, produtos alimentares.

Emprego
Os empresários da indústria ainda não planejam contratar trabalhadores, mas sinalizam que não têm mais intenção de demitir, como ocorreu nos últimos meses. No mês de abril o indicador Emprego Previsto ficou com 95 pontos, muito próximo da média histórica de 100,9 pontos e bem melhor que o resultado de março (84,6 pontos). A variação do indicador vai de 0 a 200 pontos. O pior resultado ocorreu em fevereiro deste ano (82,4).

Neste mês, aumentou a parcela dos empresários que responderam prever um nível de emprego maior para os próximos três meses. Em abril, esse índice foi de 17,1% dos empresários ante 9,8% em março. A parcela dos industriais que preveem um nível de emprego menor caiu de 25,2% em março para 22,1% em abril.

Diferente do que aconteceu nos meses anteriores, quando a recuperação do nível de emprego previsto estava concentrada no setor automotivo, desta vez houve uma recuperação mais bem distribuída entre os setores industriais. Metalurgia apresentou a maior evolução entre março e abril, saindo de 66 pontos para 89 pontos, bem próximo da média história (90,7).

Acima da média histórica, há perspectiva de contratação de funcionários nos próximos meses nos segmentos de produtos alimentares, química e papel e celulose. Abaixo da média, há ainda setores com possibilidade de demitir, como minerais não-metálicos, mecânico, material elétrico e comunicações e material de transporte. Mas esses segmentos já estão demitindo menos.

Capacidade
Outro destaque da pesquisa foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que avançou para 78,3% em abril na série com ajuste sazonal e ficou bem próximo da média histórica (80%). A indústria ainda permanece com muita ociosidade, mas está recuperando o nível de atividade de forma gradual.

Confiança
O setor industrial demonstrou, pelo quarto mês consecutivo, que está mais otimista em relação ao crescimento da economia brasileira. De acordo com pesquisa Sondagem da Indústria de Transformação, feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice de Confiança da Indústria aumentou de 77,8, em março, para 84,6 pontos, em abril, uma elevação de 8,7%. Apesar do aumento, o índice se encontra abaixo da média histórica, 99,2 pontos, refletindo o baixo crescimento da atividade econômica, segundo a FGV.

Essa pontuação, conforme a metodologia da pesquisa, reflete as expectativas de 1.061 representantes de empresas, que têm faturamento em torno de R$ 543, 3 bilhões, com participação de 23,3% nas exportações. A pesquisa indica ainda variações favoráveis em outros indicadores. O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 8,3%, ao passar de 79,5 para 86,1 pontos, e o Índice de Expectativas (IE) subiu 9,2%, de 76,1 para 83,1 pontos. Os dois indicadores atingiram os maiores níveis desde outubro de 2008.

O ICI é um indicador que utiliza para cálculo uma escala que vai de zero a 200 pontos, sendo que o resultado do índice é de queda ou de elevação, se a pontuação total das respostas fica abaixo ou acima de 100 pontos, respectivamente. Os dados atualizados do índice mostram que, na passagem de março para abril, o indicador subiu de 77,8 pontos para 84,6 pontos, na série com ajuste sazonal.

Entre os quesitos que contribuíram para a melhora do ISA e do IE, destacou-se a avaliação mais favorável sobre o nível da demanda. De março para abril, a parcela de empresas pesquisadas que avaliam a demanda atual como forte aumentou de 11,9% para 12,2%. No mesmo período de comparação, o porcentual de companhias entrevistadas que a consideram como fraca caiu de 40,1% para 32,1%.

No campo das respostas relacionadas ao futuro, a FGV informou que as previsões para a produção continuaram melhorando, e alcançaram em abril o melhor resultado desde outubro de 2008. Das empresas consultadas, 31,9% estimam aumento e 21,1% apostam em recuo da produção no segundo trimestre deste ano. Em março, esses percentuais, para as mesmas respostas, haviam sido de 27,7% e de 19,9%, respectivamente.

Esta foi a quarta elevação consecutiva do índice. Na prática, na avaliação da fundação, esse resultado consolida uma tendência de recuperação gradual da confiança, após recuo acentuado durante o quarto trimestre do ano passado. Entretanto, a fundação ressalta que, apesar da evolução favorável, o índice encontra-se abaixo da média histórica, de 99,2 pontos, o que reflete um ritmo ainda fraco de atividade econômica brasileira.

A proporção de empresas com expectativa otimista sobre o aumento de vendas cresceu de 27,7% para 31,9%, enquanto a parcela com percepção de que haverá queda subiu de 19,9% para 21,1%.

Em comunicado, a FGV comentou que essa foi a quarta elevação consecutiva do índice. Na prática, na avaliação da fundação, esse resultado consolida uma tendência de recuperação gradual da confiança, após recuo acentuado durante o quarto trimestre de 2008. Entretanto, a fundação faz uma ressalva: apesar da evolução favorável, o índice encontra-se abaixo da média histórica, o que reflete ainda um ritmo ainda fraco de atividade econômica.

O ICI é um indicador que utiliza para cálculo uma escala que vai de 0 a 200 pontos, sendo que o resultado do índice é de queda ou de elevação, se a pontuação total das respostas fica abaixo ou acima de 100 pontos, respectivamente.

De acordo com série histórica fornecida pela fundação, em seu comunicado, o patamar de Nuci referente ao mês de abril é o maior desde dezembro do ano passado, quando esse indicador apontava resultado de 79,9%.

Ainda segundo a fundação, na série de dados sem ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em abril foi de 77,6%, também o mais intenso desde dezembro do ano passado (quando o Nuci alcançou patamar de 80,6%).

Estes são indicadores importantes que existe uma tendência de retomada na indústria. A expectativa é que números similares possam ser identificados no varejo e na atividade primário para que possamos, finalmente, anunciar o início do fim da crise.

Bibliografia:
Jornal O Estado de São Paulo de 01 de maio de 2009
Jornal do Brasil de 01 de maio de 2009

Desoneração fiscal: e o escolhido foi …

Uma das características do Governo Federal é nunca enfrentar o problema de frente e sim lançar pacotes, Programas e ações que apesar de grande potencial de mídia apresentam poucos resultados práticos.

Exemplos não faltam:
– o Fome Zero foi um grande lançamento mas na prática os brasileiros ainda não tem acesso às famosas 3 refeições por dia;

– o caos áereo não foi enfrentado em nenhum momento. Uma série de medidas foram anunciadas, poucas foram efetivamente cumpridas e o assunto acabou esfriando por si próprio;

– lembra do Plano Nacional de Segurança Pública, o chamado Pac da Segurança? Ainda não saiu do papel;

– o Plano de Parceria Público-Privada, o também famoso PPP, até hoje não existe;

– o PAC, então nem se fala. Muita espuma para pouca cerveja;

– agora estamos vendo o Plano Nacional de Habitação, que mal foi anunciado já apresentou uma porção de problemas de execução.

Mas talvez o exemplo mais bem acabado da inação do governo é a atual política de uni-duni-tê da desoneração fiscal. Essa nova invenção do Governo Lula prevê abrir o saco de bondades da política fiscal apenas para uns e outros. A necessária ação governamentas que deveria servir como um incentivo às empresas, previnindo demissões e fechamento de fábricas, por algum motivo que ninguém qual é, acabou beneficiando apenas alguns setores escolhidos à dedo, enquanto os outros foram entregues à própria sorte.

Mas por que? Falta de um lobby mais eficiente por parte dos demais setores? Não alinhamento com a ideologia do governo?

Realmente as razões não temos como precisar e sim lamentar.

Reação dos esquecidos
De fato, os pacotes de desoneração do governo federal para estimular alguns setores da economia já despertaram a cobiça de associações e sindicalistas. Com uma proposta debaixo do braço e 4 milhões de empregos para barganhar, dez associações passaram as últimas semanas numa peregrinação pela Esplanada dos Ministérios para convencer o governo da importância de suas reivindicações.

“Se os tanquinhos e geladeiras foram contemplados, por que outros setores (que também sofrem reflexos da crise) não seriam?”, indagam representantes do setor produtivo.

Mesma pergunta fez o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, Miguel Torres, no dia Primeiro de maio durante as comemorações do Dia do Trabalho. Ele disse que pediu ao governo a extensão dos benefícios do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca para o segmento de freezers. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que também pode reivindicar nova prorrogação do corte de IPI para carros, dependendo das vendas do setor.

O jornal O Estado de São Paulo consultou dez associações de vários setores, como máquinas e equipamentos, frigoríficos, aéreo, calçados, infraestrutura, têxtil e confecções, eletroeletrônicos, software, consumidores de energia e papel e celulose, responsáveis por 4 milhões de empregos.

Na lista de todas elas, o pedido mais comum, além do IPI, é a desoneração de PIS, Cofins e folha de pagamento. A estratégia é apostar alto para ter margem de manobra nas negociações. Ou seja, eles pedem a isenção total de tributo para, no fim, conseguir alguma redução.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) está no grupo dos chorões, como gosta de dizer o Governo. Com apoio de centrais sindicais, propôs um regime especial de desoneração com o compromisso das empresas de manutenção dos 240 mil empregos. Para isso, quer isenção total de PIS, Cofins e ICMS (estadual) durante quatro meses.

Balcão de negócios – quem “chora” mais leva
Ao escolher os setores automotivo, de material de construção civil e de linha branca como beneficiários da redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo federal optou por transformar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em um balcão de negócios.

Diante dos efeitos da crise, o Ministério defende que medidas fiscais lineares não teriam os efeitos esperados e que vale mais a concessão de benefícios pontuais a setores envolvidos em longas cadeias de produção para preservar empregos.

Desde dezembro, o governo federal reduziu, e em alguns caos zerou, as alíquotas do IPI de automóveis e caminhões, de material de construção e de produtos da linha branca. Também reduziu de 3,65% para 0,65% a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de motocicletas. Juntas, essas iniciativas correspondem a uma renúncia fiscal de R$ 3,137 bilhões e a 0,65% da arrecadação prevista no Orçamento da União deste ano. Mas ficam restritas a um tributo cuja arrecadação é compartilhada com os Estados, os municípios e os fundos regionais.

Os beneficiados até agora, segundo posição oficial, respondem por um amplo número de empregados, contam com uma capilaridade intensa em outros setores da produção, do comércio e dos serviços. Conforme ressaltou, não havia argumentos plausíveis para a concessão de benefícios para setores em expansão, como o de alimentos. Em contrapartida, todos os favorecidos assumiram um compromisso verbal de não demitir enquanto o benefício fiscal estiver em vigência.

Novos pedidos antigos
O agravamento da crise mundial levou associações de empresários a tirarem da gaveta reivindicações antigas, que até então eram vistas com certo desdém pelo governo.

É o caso da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), que entregou ao Ministério da Fazenda pleito para o governo rever a base de cálculo do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Com a proposta, a associação calcula redução entre 2,59% e 3,11% na carga tributária.

Na Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o argumento da manutenção do trabalho tem tem peso ainda maior. Com 1,6 milhão de empregos, ela quer a redução de PIS/Cofins para produtos, como uniformes, artigos do lar, artigos de hospitais, além da desoneração da folha de pagamento. A proposta prevê ainda a ampliação dos prazos de recolhimento de PIS/Cofins para 90 dias – medida defendida pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Qual será a posição do Governo com relação às novas reivindicações ainda não sabemos. Mas que a política do uni-duni-tê da desoneração é estranha isso é.

Bibliografia:
Revista Isto É Dinheiro, edição 601de 15 de abril de 2009
Jornal O Estado de São Paulo de 02 de maio de 2009

Mercado financeiro: sinais de o pior já passou

Você se lembra da história do copo meio cheio ou meio vazio?

Em momentos de incerteza, cada um de nós tem que escolher como vai enxergar o copo. Digo isso, porque já há sinais na imprensa de que o pior já passou, e que os números de vários setores estão se estabilizado.

Alguns dias atrás foram divulgados vários indicadores bastante interessantes da indústria brasileira e no dia 04 de maio foi a vez do mercado financeiro.

De fato, muitos analistas afirmam, desde o segundo semestre do ano passado, que o mercado brasileiro seria um dos primeiros a se beneficiar de uma melhora do cenário econômico-financeiro global. Mas nem o mais otimista deles apostava em altas tão expressivas do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) em tão pouco tempo.

O indicador disparou 6,59% e fechou pela primeira vez acima de 50 mil pontos desde setembro, quando o banco de investimentos americano Lehman Brothers quebrou, provocando… bem, você sabe o que.

Entre o dia 27 de outubro, quando o Ibovespa atingiu o menor nível dos últimos anos (29.435 pontos no fechamento), e no dia 05 de maio o avanço chega a 71,23%.

As ações mais negociadas, Petrobras e Vale, bem como os papéis do setor siderúrgico, puxaram a disparada do mercado doméstico. A ação preferencial da petrolífera subiu 7,07%, enquanto o ativo da mineradora disparou 8,75%. Já a ação ordinária da CSN teve forte ganho de 7,24%, a ação da Usiminas teve acréscimo de 6,18%, enquanto a ação da Gerdau teve avanço de 8,91%.

O movimento de recuperação foi liderado pelos investidores estrangeiros, que veem no Brasil uma ótima oportunidade em comparação com o resto do mundo neste momento. Até o dia 30 de abril, as compras de ações por parte desses investidores superavam as vendas em R$ 4,5 bilhões no acumulado do ano. Somente em abril, o saldo chegava a R$ 3,1 bilhões.

Uma das explicações que vem ganhando força é que o Brasil é bem visto porque tem um mercado interno forte (mais ainda depois das medidas governamentais de estímulo ao consumo), tem resistido bem à crise (graças a fundamentos considerados sólidos) e por causa de suas relações comerciais crescentes com a China.

Mercado chinês é a bóia de salvação
Uma informação relacionada ao gigante asiático foi a grande responsável pelo otimismo. Um indicador que mede a atividade industrial chinesa teve em abril a primeira expansão após oito meses seguidos de baixa.

A China é grande importadora de matérias-primas, como petróleo e minério de ferro. Como nosso país possui um grande excedente exportável de commodities, ele acaba atraindo a confiança dos investidores estrangeiros.

Além disso, analistas comemoraram a iniciativa dos países asiáticos em criar um fundo de emergência com uma verba de US$ 120 bilhões. Os recursos devem ser utilizados para ajudar os países mais seriamente afetados pela crise mundial.

Notícias que ajudaram a “levantar” o índice
Entre as principais notícias do dia, o boletim Focus, preparado pelo Banco Central, revelou que a maioria dos economistas do setor financeiro melhoraram suas projeções para a evolução do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano: em vez de uma contração de 0,39%, a mediana das projeções aponta uma retração de 0,30%.

O Ministério do Desenvolvimento contabilizou um superávit comercial (exportações maiores que importações) de US$ 3,7 bilhões. O resultado é 113% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 1,737 bilhão) e 109% maior que o verificado em março deste ano (US$ 1,772 bilhão).

O Bradesco anunciou lucro líquido de R$ 1,723 bilhão no primeiro trimestre, resultado 9,6% abaixo dos ganhos apurados em idêntico período de 2008. A instituição bancária elevou sua provisão (dinheiro de reserva) para devedores duvidosos em R$ 1 bilhão.

Expectativa sobre o mercado financeiro americano
O pano de fundo para que questões estruturais voltem a ser consideradas pelos investidores é a melhora de percepção sobre o sistema financeiro dos Estados Unidos. No dia 07 de maio o governo americano deve divulgar os resultados dos testes de estresse aos quais foram submetidos 19 bancos.

Informações antecipadas pela imprensa americana dão conta de que todos deverão precisar de mais capital. Contudo, o mercado não se tem mostrado preocupado porque há a percepção de que os valores necessários não são tão elevados quanto se imaginava, contribuido para a “calma” entre os mercados.

Tendência
Incertezas à parte, os analistas acreditam que, apesar das fortes altas recentes, a tendência para a bolsa brasileira ainda é de valorização. A Bovespa encerrou o primeiro pregão de maio com forte valorização e no período de apenas uma semana já acumula valorização de 10%. Em 2009, o ganho acumulado da Bolsa já chega a 34,2%. Os investidores estão um pouco mais animados com as expectativas para a economia doméstica e internacional. A taxa de câmbio retraiu para R$ 2,13, em sua menor cotação desde novembro do ano passado.

E você? Acha que o copo está enchendo ou esvaziando?

Bibliografia:
Jornal O Estado de São Paulo de 05 de maio de 2009
Jornal do Brasil de 05 de maio de 2009
Jornal Gazeta Mercantil de 05 de maio de 2009

EUA: sinais de “o pior já passou”

Em meio a um oceano de más notícias e incerteza, nos últimos dias começam a surgir algumas pequenas ilhas de bons números.

A indústria brasileira esboça alguma reação seguida pelo bom desempenho da bolsa nos últimos dois meses e o patamar de valorização atingido no dia 04 de maio – 50 mil pontos.

Da mesma forma, os EUA já iniciaram um movimento tímido de retomada. A luz no fim do túnel pode ainda não estar exatamente visível, mas seus reflexos ao menos já parecem confirmar a inevitável chegada.

Indicadores apresentam alguma melhora
Apesar da retração significativa do Produto Interno Bruto (PIB) americano no primeiro trimestre, de 6,1% frente ao quarto trimestre de 2008, especialistas acreditam que outros indicadores começam a mostrar a possibilidade de um cenário mais estável. Índices que monitoram de forma mais atualizada o comportamento da economia, como a confiança do consumidor e números da indústria, sinalizam uma tendência de recuperação.

As vendas pendentes de imóveis residenciais nos EUA cresceram 3,2% em março, para 84,6 pontos, no segundo mês consecutivo de alta no indicador, depois de registrar baixa recorde em janeiro, de 80,4. Uma venda é considerada pendente quando o vendedor aceitou a oferta mas o negócio ainda não foi fechado, o que, em geral, demora dois meses para acontecer. Os gastos com construção também registraram leve alta, de 0,3%, em março, a primeira desde setembro de 2008. Analistas previam uma queda de 1,5%.

Os índices de confiança do consumidor mostraram reação em abril, e chegaram próximos ao patamar anterior à quebra do banco de investimento Lehman Brothers, considerada o marco zero da crise. O índice avançou para 65,1, ante 57,3 em março. Foi ainda a primeira alta na comparação ano a ano desde julho de 2007. O consumo pessoal também cresceu além do esperado, com expansão de 2,2% no trimestre.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de Richmond, Jeffrey Lacker, disse no dia 03 de maio que considera razoável pensar que a recessão termine este ano nos Estados Unidos. Lacker advertiu, no entanto, que prossegue a queda dos investimentos no setor imobiliário.

– Embora a atividade global ainda esteja em contração, agora parece que o ritmo está diminuindo, e em algum momento ainda este ano a atividade vai bater no fundo do poço e começará a se expandir de novo – disse Lacker, que comanda uma das 12 divisões regionais do Fed.

Manutenção da taxa de juros americana
Em 29 de abril o Federal Reserve, banco central norte-americano, decidiu pela manutenção da taxa básica de juros do país entre zero e 0,25%. O patamar havia sido instituído na reunião de dezembro do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Antes dessa data, a taxa básica estava em 1% anuais.

O banco central americano afirmou que o ritmo de deterioração da economia do país parece estar diminuindo, mas acrescentou que continuará mantendo a taxa de juro em nível excepcionalmente baixo por um longo período.

Entre os meses de março e abril, a atividade econômica “continuou a se contrair, embora o ritmo de contração pareça um pouco mais lento” , diz comunicado emitido após a reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês).

As informações coletadas pelo Fed desde março levaram à conclusão de que o gasto do consumidor americano caminha para a estabilização, mas ainda persistem os fatores que limitam a retomada – a dificuldade na obtenção de crédito, a queda no valor dos imóveis e o aumento do desemprego.

As demissões, diz o Fed, foram uma das saídas adotadas pelas empresas no cenário de crise, assim como a redução dos estoques e o corte nos investimentos.

Ainda que tenha havido uma ” modesta melhora ” na conjuntura entre março e abril, atribuída em parte às medidas de auxílio aos mercados financeiros, o Fed continua a prever que a atividade econômica deve ” permanecer fraca por algum tempo ” e que a inflação ficará sob controle – ou até mesmo com algum risco nocivo de deflação.

Pronunciamento de Bernanke no Congresso
Segundo o presidente do FED, Ben Bernanke em pronunciamento no Congresso realizado no dia 05 de maio, a recessão norte-americana parece estar perdendo força e o crescimento provavelmente deve ser retomado no final deste ano, refletindo uma melhora dos gastos dos consumidores, do setor imobiliário e o fim do processo de liquidação dos estoques das empresas.

Bernanke acrescentou, entretanto, que a recuperação provavelmente será mais lenta do que o normal e advertiu que a taxa de desemprego deve permanecer elevada por algum tempo, já que as empresas continuam cautelosas em relação às contratações. A taxa de desemprego está atualmente em 8,5%, a máxima em 25 anos. Economistas de Wall Street preveem que a taxa de desemprego em abril, que será divulgada nesta sexta-feira, atingirá 8,9%.

Bernanke afirmou haver “sinais preliminares” de que a demanda das famílias se estabiliza, citando aumento nos gastos dos consumidores durante o primeiro trimestre. “O mercado imobiliário, o qual vem desacelerando há três anos, mostrou alguns sinais de aproximação do fundo do poço”, acrescentou Bernanke, citando “um razoável montante” de vendas de imóveis usados, vendas firmes de imóveis novos e um reduzido estoque de imóveis disponíveis à venda. Entretanto, os níveis de vendas permanecem “deprimidos”, explicou.

Bernanke explicou ainda que “algum progresso” foi obtido nos ajustes dos estoques das empresas e, com este melhor equilíbrio em relação às vendas, “uma redução no ritmo da liquidação deve oferecer suporte à produção no final do ano”.

Os sinais são tímidos, é verdade. Mas existem…

Bibliografia:
Jornal Gazeta Mercantil de 06 de maio de 2009
Jornal O Estado de São Paulo de 02 de maio de 2009
Site G1 em 29 de abril de 2009
Site Estadão em 05 de maio de 2009
Site O Globo em 05 de maio de 2009