Gerenciamento de Projetos – vantagens e desvantagens

Falar em vantagens e desvantagens do gerenciamento de projetos, da gestão por projetos, nós podemos e conseguimos falar sobre isto? podemos medir isto? Como saber se vale à pena, se uma pessoa, física ou jurídica, deve agir sempre executando suas ações como se fossem projetos e quais os motivos que levam alguém a atuar desta forma?

 

Perguntas como as acima são comuns no dia-a-dia, tanto para profissionais responsáveis pela gestão de grandes empresas quanto de médias e pequenas. Mas além dos responsáveis por empresas, temos também os que pensam na gestão de suas próprias vidas particulares e não só a profissional.

 

Temos também que o que é iguais a todos estes profissionais é a dúvida com relação a trabalhar por projetos e até saber o que é isto. Temos que muitos trabalham e vivem sem ter esta noção de forma consciente, mas o que é certo é que todos visam resultados positivos para seus negócios e suas vidas. E é na busca destes resultados que muitas vezes os projetos não são trabalhados como projetos, pois a questão custo x benefício se torna empírica, deixando o que seria sensato, racional em relação ao emocional.

 

Este dilema, se deve-se trabalhar na gestão com foco em projetos, se faz presente em todos os projetos, tanto nos formalmente estabelecidos quanto nos totalmente informais, tanto nos que tiveram ações e processos planejados, custos estudados recursos estudados, prazos definidos, quanto nos que foram executados por inércia.

 

Pense em executar a gerência de projetos, a gestão destes, como algo vantajoso. Portanto, pense em executar a gestão por projetos quando a pessoa jurídica ou física envolvida já executou as ações necessárias para trabalhar de forma estruturada. Esta seria uma boa teoria, mas para colocá-la em prática o que é necessário? É necessário que um projeto anterior seja executado, pois sem isto alcançar um ponto propício para trabalhar por projetos pode ser algo muito doloroso.

 

Se, então, para poder pensar em trabalhar por projetos, gerenciar seus negócios e vida como projetos, é necessário montar e executar um projeto, temos que trabalhar desta forma pode ser difícil, poderá se tornar vantajoso, mas para que isto ocorra realmente é necessário que algumas ações paralelas ocorram. É preciso que processos sejam definidos, estratégias a curto, médio e longo prazo sejam pensadas e montadas, que a equipe, não importa por quantas pessoas seja formada, tenha consciência da necessidade de se organizar para crescer.

 

A partir do momento em que todos os profissionais da organização conseguem visualizar que pertencem a algo maior, a um objetivo definido e com clareza do que deve ser feito para se chegar a este objetivo tem-se, então, que a gestão por projetos está funcionando e, portanto, se faz vantajosa. Caso contrário toda ação poderá ter uma reação desastrosa ou no mínimo inesperada.

 

Traga este pensamento para seu dia-a-dia e elabore suas idéias visando chegar a resultados concretos, independente se o resultado é explicitamente financeiro ou não. Lembre, projetos não necessariamente existem para obter como resultado o lucro financeiro. Trabalhar por projetos é saber trabalhar com processos, com organização, com maximização de resultados e diminuição de perdas, é trabalhar com clareza, é agir com foco no resultado desejado.

 

Portanto, trabalhar, gerenciar solicitações/metas por projetos, poderá ser vantajoso, mas se mal executado poderá se converter em algo desastroso.

 

Conclui-se assim que definir de a gerência por projetos é vantajoso ou se não é vantajoso não é algo que se compra em prateleira de livrarias ou em cursos, é algo que se conquista com a experiência e vontade. Aja com foco, pense onde quer chegar, como fazer e mais importante que tudo, execute…

 

… e boa sorte!

 

 

 

Artigo escrito por José Luís Tvorecki – formado em administração de empresas, ênfase análise de sistemas, pós-graduado em administração da produção, ambas pela PUC-RS. Profissional com larga experiência em projetos em diversas empresas, de varejo comercial, distribuição e logística, área da saúde, financeira entre outras, sempre voltado a projetos da área de sistemas da informação.

O FMI e a pá de cal na economia mundial

Sabe aquele seu amigo chato? Aquele que quando abre a boca é sempre para falar mal de alguém ou para fazer alguma previsão pessimista. Aquele que tem na ponta da língua o último número do desemprego, ou da queda das vendas do comércio? Aquele que acha que a crise foi a melhor coisa que já aconteceu, afinal agora ele tem bastante assunto.

Pois o FMI deu uma de amigo chato no dia 22 de abril ao anunciar suas projeções para 2009. Logo agora que sua estrela estava voltando a brilhar desque que o G-20 decidiu triplicar os recursos direcionados para ele.

Parecia que o amigo chato teria uma chance. Contudo, agora que a turma voltou a dar atenção para ele, o FMI se recusa a lançar uma luz de esperança sobre o mundo. Quanto mais os políticos demonstram esperanças de recuperação, mais pessimista o FMI fica.

Segundo o Fundo a economia mundial deve se contrair em 1,3% este ano, na maior retração no período pós-Segunda Guerra. Para o Brasil, o prognóstico é de contração de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e expansão de 2,2% em 2010. Além disso, ele elevou sua estimativa para as baixas contábeis financeiras agregadas para US$ 4,1 trilhões, justo quando o secretário do Tesouro dos Estados Unidos dizia que os bancos estão bem capitalizados. Agora, o FMI divulgou previsões de crescimento que farão até mesmo os mais pessimistas ficarem assustados.

Só catástrofes
Os Estados Unidos permanecem no epicentro da crise e que é fundamental que as autoridades norte-americanas combatam as crescentes dívidas tóxicas e a incerteza sobre a solvência dos bancos, informou o Fundo que cortou a previsão para os EUA para uma contração de 2,8% neste ano e crescimento zero do PIB do país em 2010, à medida que acabem os danos do aperto de crédito, a queda dos preços de moradias e de ações e os altos níveis de incerteza.

O Fundo prevê que a produção industrial dos EUA vai cair colossais 2,8% este ano. Ao contrário da maior parte dos economistas que estão prevendo recuperação no segundo semestre, o FMI não espera melhoria alguma antes de meados de 2010. E mesmo aí ele calcula que o crescimento será de anêmicos 1,5%. Por outro lado, o Gabinete do Orçamento do Congresso dos EUA prevê um crescimento de 4% em 2010.

Enquanto isso, a economia da zona do euro deve ter contração de 4,2% este ano e de 0,4% em 2010, segundo o FMI, criticando o bloco em relação às fracas respostas públicas e coordenação. Segundo o Fundo, a recessão deve ser “particularmente severa” na Irlanda e “bastante severa” na Grã-Bretanha e que o desemprego em economias europeias desenvolvidas deve aumentar em torno de 10% no fim de 2009 e continuar acelerando até 2011.

Na Ásia, o FMI estimou que a recessão do Japão deve se aprofundar mais que o previamente imaginado, enquanto a economia chinesa tende a crescer em um ritmo mais lento. O Fundo espera que a produção japonesa caia 6,2% em 2009, previsão muito pior que o declínio de 2,6% estimado em janeiro. Para a China, o Fundo reduziu a previsão de crescimento em 2009 para 6,5%, ante 6,7%, taxa equivalente à metade da registrada em 2007 e bem abaixo dos 9% registrados no ano passado.

Sobrou até para os bancos latino-americanos
O prolongamento da recessão mundial ameaça criar riscos significativos até mesmo para bancos que hoje parecem sólidos e não foram contaminados pela crise de confiança que abalou o setor financeiro nos países avançados, disse o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

“A América Latina não tem uma crise bancária hoje, mas tem uma crise financeira”, disse Strauss-Kahn na tarde de terça-feira, em entrevista ao Valor e outros três jornais latino-americanos. “Se a desaceleração da economia continuar por muito tempo, até os bancos da América Latina vão carregar ativos podres.”

Ele teme que o aprofundamento da crise submeta instituições financeiras que hoje exibem saúde, como as brasileiras, a pressões semelhantes às enfrentadas pelos bancos americanos com os problemas no mercado imobiliário e o aumento da inadimplência. “Não é o caso hoje, mas essa é uma possibilidade”, afirmou.

O diretor do Fundo disse que o mundo não sairá da recessão enquanto os Estados Unidos e outros países ricos não conseguirem tapar os buracos encontrados na contabilidade dos bancos e estabilizar o sistema financeiro, permitindo que ele volte a ampliar a oferta de crédito.

Resultados divulgados nas últimas semanas indicaram que alguns dos maiores bancos americanos voltaram a dar lucro no primeiro trimestre, mas há dúvidas sobre a capacidade que terão de repetir o desempenho nos próximos meses. “Instituição financeira dando lucro não quer dizer que a distribuição de crédito voltou ao normal”, disse. “Os esforços dos governos ainda não foram suficientes para destravar o crédito.”

E o Brasil então….
As previsões do Fundo para o Brasil são bem mais pessimistas do que as feitas pelo governo e por muitos bancos brasileiros. O último relatório do Banco Central sobre a evolução da inflação, publicado em março, previu uma expansão de 1,2% neste ano. Os bancos esperam uma contração de 0,49%, segundo a média das projeções coletadas pelo BC na semana passada.

Na avaliação do FMI, o impacto da crise tem sido subestimado pelo governo e pelos bancos brasileiros. Os economistas do Fundo acreditam que os choques provocados pelos problemas existentes nas economias avançadas estão sendo transmitidos para os mercados emergentes com mais força do que observadores com uma visão menos abrangente da economia global são capazes de perceber.

“Não é que o Brasil esteja particularmente fraco”, disse o diretor-adjunto do departamento de pesquisa do FMI, Charles Collyns, numa entrevista em que os economistas da instituição apresentaram a nova edição do seu relatório semestral sobre o cenário econômico global. “As projeções para o Brasil foram rebaixadas em linha com nossas projeções para a economia mundial.”

O Fundo vê os problemas que o Brasil enfrenta com a crise como decorrência de sua crescente integração na economia global, e não como resultado de políticas equivocadas. “O que está acontecendo não é culpa das autoridades brasileiras”, disse o diretor do departamento que monitora a América Latina, Nicolas Eyzaguirre. “O Brasil será capaz de surfar a onda quando ela subir de novo.”

Strauss-Kahn afirmou que a capacidade de resistência demonstrada pela América Latina diante do agravamento da crise o surpreendeu. “Há diferenças entre os países, mas na média a região não está melhor nem pior que a média mundial”, disse. “As crises do passado atingiram a região com muito mais força.”

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse em Buenos Aires que as previsões dos organismos internacionais estão “muito voláteis e mudando muito em função dos últimos acontecimentos”. “É prematuro chegarmos a uma conclusão baseados em cada nova previsão dos organismos internacionais”, afirmou. Meirelles disse que o Brasil tem reagido bem à crise, a indústria automobilística está se recuperando e, embora considere a situação econômica mundial “grave”, disse que o país está “forte e bem preparado” para enfrentar a crise. Meirelles não quis antecipar qual a projeção de crescimento do Banco Central que será divulgada em junho.

Onde está a luz do fim do túnel?
Na opinião do FMI, a economia mundial só voltará a crescer depois que for restabelecida a saúde do sistema financeiro dos países avançados, o epicentro da crise atual. A falta de crédito e as dificuldades que empresas e consumidores têm encontrado para renegociar suas dívidas deverão continuar reprimindo o consumo e os investimentos por um bom tempo, prevê o Fundo.

O Fundo prevê uma recuperação lenta, que poderá começar em meados do ano que vem e levará tempo para ganhar velocidade. O FMI acredita que medidas como os vários planos de estímulo econômico lançados nos Estados Unidos e em outros países nos últimos meses ajudarão a evitar uma recessão mais profunda, e o relatório sugere que novas iniciativas desse tipo poderão ser necessárias em 2010.

Restaurar a confiança no setor financeiro será essencial para evitar um ciclo vicioso que pode prolongar a crise, na avaliação do FMI.

A fragilidade dos bancos dos países avançados encolheu dramaticamente os fluxos de capital externo para países emergentes como o Brasil. O FMI prevê que neste ano os mercados emergentes enfrentarão uma saída líquida de capitais privados de US$ 190 bilhões, com a fuga de investidores que tinham apostado nas bolsas de valores e dificuldades para rolar dívidas contraídas com bancos estrangeiros. De acordo com o Fundo Monetário, o fluxo de capital externo privado para países emergentes atingiu um pico em 2007, com US$ 617 bilhões em termos líquidos.

Economias do Leste Europeu que se endividaram muito nos últimos tempos serão mais atingidos do que países como o Brasil, que reduziu seu endividamento externo. Mas o impacto da crise será significativo mesmo assim. O Fundo prevê que a América Latina receberá neste ano um fluxo líquido de capital externo de apenas US$ 13 bilhões, um décimo do volume de recursos observado em 2007.

Sabe aquele seu amigo chato? É melhor deixar ele quieto e esquecer de convidá-lo para a próxima reunião da turma.

Bibliografia:
Revista Isto É Dinheiro, edição 603 de 29 de abril de 2009
Revista Veja, edição 2.110 de 29 de abril de 2009
Revista da Semana, edição 85 de 30 de abril de 2009
Revista Época, edição 571 de 25 de abril de 2009
Jornal O Estado de São Paulo de 23 de abril de 2009
Jornal Valor Econômico de 23 de abril de 2009
Jornal Gazeta Mercantil de 23 de abril de 2009

Pactual: o negócio é vender caro e comprar barato

Lembra no primeiro grau que você enganou aquele seu coleguinha mais “lentinho”, vendendo sua coleção completa de figurinhas do Jaspion por 31 cruzados novos (?!) e depois recomprava por 25 cruzados?

Foi mais ou menos o que fez o financista André Esteves no dia 20 de abril ao se tornar o novo dono da butique de investimentos Pactual.

Numa operação que foi considerada pelo mercado comorápida e barata, Esteves voltou ao topo do mundo dos bancos de investimentos no país, ao recomprar as operações do Pactual das mãos do UBS. Menos de três anos atrás, antes de ser abatido pela crise das hipotecas de alto risco, o banco suíço havia comprado o banco de investimentos brasileiro por US$ 3,1 bilhões, num cenário em que os grandes bancos globais não paravam de expandir suas fronteiras e tomar novos riscos.

A rapidez da negociação foi impressionante.

Desde que os suíços procuraram Esteves para dizer que, finalmente, estavam prontos para atender seu desejo de devolver-lhe o banco, apenas duas semanas se passaram. E o negócio só pôde ser fechado tão rapidamente, sem qualquer auditoria, porque o comprador conhece profundamente o que está levando. Até meados do ano passado, Esteves estava no comando do UBS Pactual.

O contrato assinado com os suíços em Nova York, prevê que nenhum dos lados pode voltar atrás. A BTG Investment está comprando toda a operação do UBS no Brasil, inclusive o private bank. Só ficam de fora as operações de private bank offshore. Esse é um segmento delicado, que muitas vezes envolve dinheiro não declarado e tem colocado o UBS na mira do governo americano.

O preço da venda do Pactual ao UBS, em 2006, e o de recompra podem parecer equivalentes. Mas as aparências não poderiam ser mais enganosas. Quando o UBS se comprometeu a desembolsar US$ 3,1 bilhões pelo Pactual, estava pagando o equivalente a 9 vezes o patrimônio líquido do banco brasileiro à época, de US$ 300 milhões (os US$ 3,1 bilhões seriam pagos a prazo e, quando levados a valor presente, equivaliam a cerca de US$ 2,7 bilhões). Os US$ 2,475 bilhões de agora correspondem a apenas 1,36 vez o patrimônio atual do banco, que está em US$ 1,8 bilhão. O PL cresceu graças aos lucros acumulados de lá para cá. No período, houve apenas uma distribuição de dividendos ao UBS, em torno de US$ 300 milhões.

O preço caiu, refletindo o cenário mundial adverso, que derrubou o valor dos bancos mundo afora. Em janeiro de 2008, Esteves acenou com proposta de US$ 5 bilhões ao UBS, em sua primeira tentativa de recomprar o Pactual.

Agora, do preço total, cerca de US$ 600 milhões serão pagos em dinheiro à vista, tão logo o Banco Central aprove a venda. Uma pequena parte do preço será financiada pelo próprio UBS. A maior parte do preço corresponde à assunção dos pagamentos que o UBS ainda tem a fazer aos ex-sócios pela venda do Pactual. São US$ 1,6 bilhão da segunda parcela (a primeira, de US$ 1 bilhão, foi paga em 2006), que seria paga em julho de 2011. E outros US$ 500 milhões de bônus de retenção, a serem pagos aos sócios que ficarem no banco até julho de 2011. Aqueles que deixaram o banco, inclusive Esteves, perderam direito ao bônus, que reverteu em favor dos que ficaram.

A maior parte da dívida do UBS era com o próprio Esteves e, portanto, essa dívida se anula. Aos demais sócios do Pactual, Esteves vai oferecer duas alternativas: trocar o valor a receber por capital do novo banco, voltando à condição de sócio, ou receber antecipadamente os valores devidos pelo UBS. Nesse caso, o executivo estará livre para deixar a instituição.

Oficialmente, os suíços decidiram se desfazer do banco brasileiro devido à mudança na estratégica da organização. Se, antes, eles queriam correr mais riscos nos mercados emergentes, agora querem uma gestão mais conservadora. Os sócios brasileiros, que antes estavam motivados em fazer parte de uma agressiva instituição global, não aceitaram a mudança de postura e alguns deixaram o banco, inclusive o próprio Esteves, rumo ao BTG. Adivergência estratégica era constante. O UBS nega que atritos de gestão no Brasil determinaram a venda.

O que o UBS não menciona é que vem sendo pressionado desde 2007 a vender o Pactual por um grupo de acionistas liderado pelo ex-presidente do banco, Luqman Arnold. Em carta enviada ao vice-presidente do UBS, Sergio Marchionne, Arnold pede a venda do Pactual e de outros bancos de investimento que o UBSpossui no mundo. “Essas vendas não devem ferir o foco das operações globais do UBSe devem atrair compradores dispostos a pagar o preço justo nesse competitivo mercado. O Pactual, a área de Global Asset Management e os negócios na Austrália e na Ásia preenchem esses requisitos”, escreveu Arnold. Esteves, que teve uma breve passagem na matriz do banco como diretor global de renda fixa antes de voltar ao Brasil, estava atento.

Para o suíço UBS, a venda, ou como preferem alguns, a devolução do Pactual representa o cumprimento de promessas feitas recentemente a acionistas. Há uma semana, o novo CEO do banco, Oswald Grübel, disse durante a assembleia anual de acionistas que, como parte dos esforços para dar a volta por cima, o banco iria reduzir sua atividade de banco de investimentos global, focando no negócio de gestão de riquezas. “(Em banco de investimentos), vamos nos concentrar nos mercados de capitais mais importantes e sair de alguns lugares”, afirmou ele. Doug Morris, porta-voz do UBS em Nova York, disse que a venda “melhora a estrutura de capital do UBS e aumenta seu foco estratégico e geográfico”.

Como dizia o calendário: “Nada como um dia depois do outro”.

Bibliografia:
Revista Isto É Dinheiro, edição 603 de 29 de abril de 2009
Revista da Semana, edição 85 de 30 de abril de 2009
Jornal O Estado de São Paulo de 21 de abril de 2009
Jornal Gazeta Mercantil de 22 de abril de 2009
Jornal Valor Econômico de 22 de abril de 2009

Piratas condenados (e não são os somalis!)

No mês de abril a milenar prática da pirataria voltou à mídia mundial em duas frentes: em águas internacionais e no oceano da internet .

No dia 12 de abril, depios de cinco dias de sequesto do cargueiro americano Maersk Alabama por piratas da Somália, o presidente Barack Obama autorizou o uso da força para libertar o capitão Richard Phillips, refém dos bandios. O saldo da operação, comandada por uma tropa de elite da Marinha americana: três bandidos mortos e a tripulação inteira libertada.

E no dia 17 de abril um tribunal de Estocolmo, na Suécia, condenou a um ano de prisão quatro homens responsáveis pelo Pirate Bay, o maior site de torrents do Mundo. O site foi acusado por várias companhias da indústria fonográfica e do cinema de facilitar a partilha ilegal de arquivos. Os fundadores da página, Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg e Peter Sunde foram condenados juntamente com Carl Lundstrom, o fornecedor do serviço de acesso à Internet (ou ISP) onde o site estava hospedado. Para além da pena de prisão, os condenados terão de pagar 30 milhões de coroas suecas (2,7 milhões de euros) em indenizações. A acusação tinha exigido compensações no valor de 117 milhões de coroas (11 milhões de euros).

Vamos nos concentrar na pirataria virtual, que a meu ver é mais inofensiva.

Fundado em 2003, o Pirate Bay não aloja nenhum conteúdo protegido por direitos de autor, mas funciona como motor de busca para torrents, pequenos arquivos que permitem a partilha de conteúdos entre computadores, mesmo que essa partilha não seja autorizada.

A equipe de acusação era constituída por 17 empresas , incluindo a produtora cinematográfica 20th Century Fox, a gravadora EMI e a empresa de jogos de vídeo Blizzard Entertainment. Ao todo, a acusação identificou 21 músicas, cinco filmes e três jogos de vídeo que terão sido partilhados ilegalmente através de torrents encontradas no Pirate Bay.

De acordo com a AFP, a International Federation of Phonographic Industries (IFPI), associação que representa grandes empresas da indústria fonoográfica como a Sony BMG e a Universal, afirmou num comunicado que esta sentença era uma “boa notícia” para a comunidade artística. “O tribunal atribuiu uma sentença bastante dissuasora, que reflete a gravidade dos crimes cometidos”, escreveu John Kennedy, presidente da IFPI, no comunicado. A IFPI foi uma das associações a processar o Pirate Bay.

Ao meio-dia (13h00 na Suécia), Peter Sunde deu uma conferência de imprensa online, através do site sueco www.bambuser.com. Os espectadores puderam enviar perguntas a Peter, mas a ligação foi várias vezes abaixo, devido à enorme quantidade de visitas ao site. O porta-voz do Pirate Bay mostrou-se descontraído com a sentença. “Todos nos rimos com o resultado. Uma pena de prisão é de fato um assunto sério, mas tão bizarro que só nos conseguimos rir”, afirmou Sunde. Quanto à indenização, Peter disse que nenhum dos quatro condenados poderia pagar aquela soma, nem pagaria mesmo que pudesse.

O porta-voz do grupo de piratas mostrou-se confiante de que iria ganhar o apelo da sentença. Esse processo pode, no entanto, “demorar cinco a seis anos”, explicou Sunde.Vale lembrar que Sunde já confirmou presença na décima edição do Festival Internacional de Softwares Livre, que será realizado em junho em Porto Alegre. Vida de celebridade é isso aí.

O site Pirate Bay já está na mira das autoridades suecas desde 2006. Em maio daquele ano, a polícia sueca aprendeu servidores do Pirate Bay suficientes para encher três caminhões. Apesar de devastadora, a ação policial não conseguiu pôr fim ao site. Com a ajuda de voluntários espalhados por todo o mundo, a página foi restabelecido em apenas três dias, a partir de servidores holandeses.

Também em 2006, o engenheiro Rickard Falkvinge fundou o Partido Pirata sueco, um movimento político sem nenhuma ligação oficial ao Pirate Bay, que pretende reformular as leis que regem os direitos de propriedade inteletual. Pouco depois do ataque ao site, o número de militantes aumentou rapidamente, ultrapassando os do Partido Verde sueco. A sua juventude partidária, os “Jovens Piratas”, é a segunda maior do país. O partido concorreu nas eleições parlamentares nesse ano, onde conseguiu 33 mil votos nas eleições, o equivalente a 0,6 por cento dos votantes. O resultado não deu direito a assento parlamentar, mas tornou-o no décimo maior dos 40 partidos suecos. O Partido anunciou recentemente que irá participar nas eleições europeias, em Junho deste ano, com o candidato Christian Engström.

Pelo jeito é mais fácil enfrentar a piratária marítima do que a virtual.

Bibliografia:
Jornal O Estado de São Paulo de 18 de abril de 2009
Revista Isto É Dinheiro, edição 603 de 29 de abril de 2009
Revista da Semana, edição 84 de 23 de abril de 2009
Revista da Semana, edição 85 de 30 de abril de 2009
Site Ultima Hora em 17 de abril de 2009

Cartões: expansão do mercado e vigília do governo

E lá se vão 15 anos de estabilidade econômica e com ela verifica-se uma mudança expressiva nos hábitos de pagamento do consumidor. Depois de experimentar a obsessão pela liquidez (dinheiro vivo sempre nos bolsos), embarcar na onda dos cheques pré-datados, agora parece ser a hora do dinheiro de plástico.

O ano de 2008 foi marcado pela explosão do uso do cartão de débito e da queda do uso do cheque. No ano passado, a quantidade de transações com cartões de débito cresceu 27% na comparação com 2007, período em que o número de cheques emitidos caiu 5,2%. Os cartões de crédito também cresceram em 23,5%, fôlego que garantiu a vice-liderança no ranking da expansão dos meios de pagamentos.

Os dados foram divulgados pelo Banco Central no dia 27 de abril e fazem parte do “Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil”, estudo publicado anualmente desde maio de 2005. Para o BC, a consolidação da pesquisa indica que há continuidade do aumento da utilização de papel-moeda e dos instrumentos eletrônicos de pagamento.

Nos últimos quatro anos, o pagamento eletrônico cresceu 17% por ano, enquanto que a quantidade de cheques emitidos caiu 9,3%. Em 2008, houve 1,373 bilhão de cheques que circularam com liquidação interbancária, frente 2,136 bilhões em 2003. Já a quantidade de transações com cartões de débito saltou de 662 milhões, em 2003, para 2,1 bilhões no ano passado.

De acordo com o estudo do BC, a substituição do cheque por meios eletrônicos ocorre nas transações de menor valor. O valor médio dos cheques, no ano passado, chegou a R$ 835,00, contra R$ 716,00 em 2007. No mesmo período, o valor médio por transação com cartão de débito manteve-se em R$ 49,00, enquanto que a operação média com cartão de crédito subiu de R$ 84,00 para R$ 86,00. Ou seja, o cheque mantém-se firme em um nicho específico das transações.”Há espaço para criação de facilidades adicionais que possibilitem pagamentos de maior valor comandados eletronicamente a partir de pontos de venda”, cita o relatório do Banco Central, referindo-se a operações unitárias de valor menor que R$ 5 mil. Acima desse limite, as operações devem ocorrer por meio de Transferência Eletrônica Disponível (TED), mecanismo lançado em 2002 quando foi criado o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

O potencial de expansão dos cartões foi comprovado em 2008, quando pela primeira vez os cartões de débito cresceram mais que os de crédito. Em quantidade de cartões no mercado, o crescimento foi de 14% no segmento de débito e de 12% nos cartões de crédito.

O BC prevê aumento da presença dos cartões de débito levando em consideração a “baixa frequência” de uso do produto: em 2007, cada cartão de débito registrou média de 9,3 transações por ano. Na Suécia, foram mais de 124 usos por ano, chegando a 159 na Finlândia. Já os cartões de crédito registraram, no ano passado, 18,4 transações por unidade, o que se aproxima mais do que ocorre em outros países (15,4 usos por ano, na França, e 14,6 usos, na Itália). As comparações com outros países consideram dados de 2007, devido à defasagem das informações internacionais.

O governo já está de olho
Com a expansão o governo brasileiro pretende pressionar de forma mais incisiva a indústria de cartões de crédito para promover uma redução dos custos que ela impõe aos clientes. Uma das possibilidades em estudo – e no momento é a que aparece como a mais viável – é chamar os representantes do setor para conversar e forçá-los politicamente a ajustar sua conduta. A ideia é convencer as empresas que dominam o mercado a trabalhar com preços menores, reduzir a margem de lucro e diminuir as barreiras à entrada de novos concorrentes. Caso demonstrem resistência, o governo pode partir para uma ação mais dura.

Segundo outro estudo divulgado no fim de março pelos Ministérios da Justiça e da Fazenda e pelo Banco Central o setor tem uma taxa de lucratividade muito acima da média praticada na economia brasileira e esse quadro precisa ser revisto. Segundo o levantamento, o lucro das credenciadoras (as empresas que levam os cartões para as lojas) aumentou 300% entre 2003 e 2007, passando de quase R$ 600 milhões para perto de R$ 2,5 bilhões. O estudo considera que a margem de ganho das empresas é desproporcionalmente elevada em comparação com o risco da atividade. Além disso, a margem de lucro no Brasil é bem superior à da União Europeia.

Outra opção do governo, considerada mais difícil de implementar e avaliada como mais intervencionista, é determinar a desverticalização do setor. Hoje, as empresas de cartão de crédito controlam todo o processo: credenciamento, fornecimento de terminais de pagamento, captura e processamento de transações, encaminhamento de pedido de autorização e compensação e liquidação. Isso diminuiria o poder de fogo das companhias do setor, pois a verticalização é a maior fonte do poder dessas empresas.

A alternativa mais radical, mas não desejada pelo governo, é transformar o segmento em um setor regulado, o que poderia significar o tabelamento de preços. Além dessas possibilidades, o governo estuda promover alguma regulamentação do setor, tentando fechar brechas que garantam a concentração do sistema e estimular uma maior concorrência.

Bibliografia:
Jornal Gazeta Mercantil de 28 de abril de 2009
Jornal O Estado de São Paulo de 29 de abril de 2009