Os exageros da qualidade

Uma análise sumária sobre os exageros da qualidade nos projetos e nas empresas onde estes estão inseridos

A qualidade, desde sua origem, tomou um papel de destaque para muitos. Por ser uma novidade em uma época onde as transformações industriais pareciam não dar espaço para inovações, o posto de ferramenta fundamental para a sobrevivência do negócio logo permeou pela cabeça de muitos, principalmente dos nossos amigos orientais, e a devoção da qualidade se expandiu pelo mundo na velocidade da globalização. Ainda hoje muitos tratam a qualidade como um divisor de águas: empresas com qualidade bem sucedidas e prósperas e empresas sem qualidade superdimensionadas, despendiosamente funcionais e sem rumo definido.

A qualidade é uma ferramenta fundamental, claro. Mas devemos ter cuidado em não tratar a qualidade como “a” ferramenta. Infelizmente vejo muita empresas implementando sistemas de qualidade em seus departamentos com o orgulho elevado, e por um lado isso é muito bom. Ter procedimentos rastreáveis, controlados e de fácil mensuração é fundamental para um bom andamento dos projetos, tal importância está impressa em vinte páginas do nosso PMBOK, mas devemos ter cuidado com o volume de importância e a praticabilidade de sua aplicação.

Recentemente estava vendo os processos de controle fiscal de uma empresa, que tinha seu departamento certificado pela norma ISO 9001, que hoje é um cartão de visita de uma empresa para com seus clientes. Eram tantas as premissas para justificar gastos, principalmente por parte das filiais, que tornavam inviáveis suas práticas. Muitos “work arounds” eram utilizados para poder prestar conta das tarefas implementadas pelo sistema da qualidade que, ao invés de controlar, acabava por burocratizar o sistema e perdendo o sentido da praticidade e da veracidade das premissas do sistema.

Devemos ter cuidado quando optar por um sistema de qualidade. Muito mais que um modismo ou um divisor de águas, a qualidade é uma ferramenta a ser utilizada para controlar e tangibilizar os processos e as saídas dos pacotes de trabalho. Quando dada a devida importância a qualidade auxilia e muito no bom andamento do projeto. Quando não, transforma o projeto em uma repartição pública, onerando trabalho extra para a equipe de projetos, ou vira apenas um quadro na parede, sem importância e respeito por todos os elementos humanos influentes.

 

Deflação Nos EUA e o excesso de Dólares no mercado Mundial

Durante um longo período a economia brasileira sofreu com os efeitos da inflação e hoje percebe-se que este mal foi superado. Num cenário de recessão mundial e desaceleração das economias emergentes, o temor de agora se chama deflação, isso mesmo, o oposto da inflação. A Deflação é quando a moeda em circulação ganha valor relativamente às mercadorias, serviços e moedas estrangeiras. Num cenário recessivo da economia mundial, empresas investem e contratam menos, o consumo é desaquecido e, para não sofrerem tanto com a queda da demanda, tendem a reduzir os preços e diminuir a produção, o que deflaciona as mercadorias no mercado.

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Efeitos da crise: os novos valores dos americanos

Um dos esportes preferidos do brasileiro é “rir da desgraça alheia”.

Não se faça de desentendido é com você mesmo que eu estou falando. Ou você nunca teve aquela sensação de vingança quando soube que o seu cunhado chato perdeu o emprego no último corte da EMBRAER?

Falando como nação, o brasileiro em geral adora “tirar uma casquinha”:
– A Argentina quebrou? Bem feito para eles.
– A família real britânica se meteu em mais uma confusão? São um bando de desordeiros mesmo.
– Descobriram mais uma foto insinuante da mulher do Sarkozi? Bem feito, ela devia se cuidar melhor.
E por aí vai.

Em tempos de crise, pelo menos podemos rir dos novos hábitos dos americanos: viver com menos, pechinchar, ficar em hotéis mais baratos, etc.

No mundo já se fala em novos valores, baseados na economia e na sustentabilidade. Valores esses, que qualquer brasileiro aprende antes de dizer “mamãe”. Para que você ria um pouco vamos elencar esses novos valores:

1) Frugalidade: representa o fim do consumo voraz, alimentado pelo crédito fácil e pela riqueza imediata. Gasta-se menos, poupa-se mais. Há pelo menos uma década o patamar de poupança dos americanos era de quase zero. Em novembro do ano passado subiu para 3%. Agora é de 8%.
Comentário sarcástico: Isso qualquer brasileiro de classe média já sabia.

2) Solidariedade: com o aumento do desemprego nos países ricos, está surgindo uma tendencia de união destas pessoas com dificuldades financeiras para que juntos encontrem opções e consolo.
Comentário sarcástico: isso nós pobres já fazermos há muito tempo, seja pelo lado das ONGs em comunidades carentes, seja pelo lado do incentivo ao trabalho voluntário.

3) menos consumismo: crescem os sites na internet de troca de produtos. Crescem também as organizações que promovem bazares de produtos muito baratos ou gratuitos.
Comentário sarcástico: é só ver as lojas de R$ 1,99.

4) invovação: com a crise dos países principais, as grandes empresas estão voltando seus olhares para soluções econômicas adotadas pelos países periféricos como India e Brasil.
Comentário sarcástico: que o brasileiro “tira água de pedra, todo mundo sabe”.

5) casas menores: de julho a setembro de 2008 a área média das construções caiu 7,3% em relação ao trimestre anterior, passando de 244 metors quadrados para 227 metros quadrados. É a primeira vez, em uma década, que houve tal redução.
Comentário sarcástico: qualquer um que já tenha morado numa casa popular entende de “casas menores”.

6) faça você mesmo: cursos de jardinagem, costura e serviços domésticos proliferam nos Estados Unidos. Grandes lojas, como a Home Depot, destinadas a vender peças de montagem doméstica ensinam os compradores a resoler tudo em casa.
Comentário sarcástico: qual é o brasileiro que não tem um pouco de mecânico, jardineiro, marcineiro, eletricista dentro dele?

Hoje sabemos que a crise já é de todos, mas ainda dá para “tirar uma casquinha” dos nossos “primos ricos”.

Bibliografia:
Revista da Semana, edição 80 de 26 de março de 2009

AIG e o bônus da discórdia

Em situações como essa em que vivemos (me refiro a crise claro, mas estou tentando não usar mais essa palavra) a única saída é não perder o bom humer.

A coisa pode estar feia, mas temos que tentar achar algum aspecto positivo, que seja pelo menos engraçado. Aqui no Brasil, como não adianta arrancar os cabelos, a cada nova “pegadinha” do Senado, nós brasileiros tentamos pelo menos soltar uma risadinha com o insólito que é a nossa representação em Brasíla.

Na semana passada o americano sentiu na pele, o que é ter que “rir para não chorar”. Só que o caso não foi com o Senado deles e sim com a “seguradora” (assim mesmo, entre aspas) AIG.

O procurador de Nova York Andrew Cuomo encaminhou um relatório para a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara informado que a AIG distribuiu um bônus de US$ 463 milhões para 418 funcionários, sendo que 298 ganharam mais de US$ 100 mil. O maior prêmio pago foi de US$ 6,4 milhões. Outros seis empregados receberam mais de US$ 4 milhões, 15 embolsaram mais de US$ 2 milhões e 51 foram recompensados com mais de US$ 1 milhão.

É bom lembrar que desde que estourou a crise so subprime, o governo americano injetou US$ 170 bilhões na AIG. É dinheiro do Tesouro, abastecido com os impostos de gente que viu o preço de sua casa virar pó e seu emprego se evaporar.

Interessante foi a contribuição do senador Charles Grassley, principal membro republicano do Comitê de Finançasdo Senado, que sugeriu que os executivos da AIG deveriam renunciar ou se suicidar. “Eu me sentiria melhor se eles seguissem o exemplo japonês, se eles se apresentass em diante do povo americano e se curvassem pedindo desculpas, antes de escolher uma das opções: entregar o cargo ou se suicidar.

O clima de indignação acelerou a aprovação pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) um projeto que prevê a aplicação de um imposto de 90% sobre os bônus pagos a funcionários de empresas de Wall Street que receberam ajuda federal. A medida se aplica aos bônus distribuídos depois de 31 de dezembro de 2008 e prevê a taxação das bonificações pagas por firmas que receberam mais de US$ 5 bilhoes do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (TARF, na sigla em inglês), além das agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac.

O presidente-executivo da AIG, Edward Liddy, foi chamado ao Congresso americano para explicar o pagamento, mas limitou-se a afirmar que não havia outra saída legal a não ser efetuar os
pagamentos, prometidos contratualmente.

Aqui cabe um comentário. Por mais ultrajante que possa parecer o pagamento de bônus para executivos de uma empresa quebrada, o respeito aos contratos é uma das premissas básicas para o funcionamento do capitalismo. Nos Estados Unidos o repeito aos contratos é uma das pedras angulares da sociedade americana e já sobreviveu a episódios ainda mais contrangedores que o da AIG.

O primeiro julgamento da Suprema Corte a confirmar o respeito aos contratos deu-se em 1810, no caso Fletcher versus Peck. A discussão girava em torno da validação de títulos de propriedade de terras obtidas de forma fraudulenta dos índios e com a comprovada corrupção de deputados do estado da Geórgia que, por meio de uma lei estadual, haviam autorizado inicialmente o loteamento. O caso chegou à Suprema Corte por um comprador de terras que, motivado pelo preço excessivo que pagou a um intermediário, pretendia anular o contrato de aquisição. Ele alegou a origem obscura do negócio e a corrupção dos deputados, da qual só soube depois. Como ele, muitas outras pessoas haviam protestado, em um clamor popular que obrigou o estado da Geórgia a anular todos os contratos de compra e venda. A Suprema Corte, em Washington, julgou se a lei de um estado poderia anular acordos privados. A decisão final, tomada pelo juiz John Marshall, baseou-se no argumento de que, a despeito da podridão do episódio, as partes agiram de boa-fé, dentro da formalidade. E que, portanto, o governo da Geórgia não poderia ter violado o contrato. Ou seja, a venda foi um ato espontâneo, de cumprimento obrigatório. Outras decisões da Suprema Corte também protegeram acertos privados.

Em todos esses casos, o princípio da santidade dos contratos prevaleceu sobre o clamor popular. Resta saber se algum executivo da AIG terá a coragem de contestar na Justiça a interferência do governo americano no pagamento dos bônus. E se o clamor popular terá eco na Suprema Corte dos Estados Unidos.

Bibliografia:
Revista Isto É Dinheiro, edição 598 de 25 de março de 2009
Revista da Semana, edição 80 de 26 de março de 2009
Revista Veja, edição 2.105 de 25 de março de 2009
O Estado de São Paulo, 42.155 de 18 de março de 2009

A SELIC não cai? A culpa é do porquinho

Apesar do leigo muitas vezes comparar o mercado financeiro a um cassino, dada as suas surpresas e inconstâncias, algumas coisas são tão certas quanto 2 e 2 são 4.

Um bom exemplo é quando a SELIC cai a patamares baixos (nem tão baixos assim) sempre é aberta a discussão sobre o que fazer com o rendimento da poupança para que ele não atrapalhe a continuidade do processo de redução da taxa básica.

E foi exatamente o que aconteceu no dia 12 de março, na reunião que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, teve com os senadores que participam do grupo de acompanhamento à crise.

Por enquanto, o patamar da taxa SELIC ainda não configura um problema de distorção dos rendimentos das aplicações financeiras, porque enquanto a SELIC está em 11,25%, o rendimento nominal da poupança (TR mais 6%) está na casa dos 8%. A lei que fixa a rentabilidade da poupança é de 1874. A TR veio bem depois, durante o Plano Real, que entrou em vigor em 1994.

O presidente do BC teria afirmado que a remuneração da poupança pode gerar uma distorção, como a que ocorreu em 2007, quando a SELIC atingiu pela primeira vez seu piso histórico 11,25%. Naquele ano, o BC chegou a reduzir o rendimento da poupança mudando a fórmula de cálculo da TR.

Com a SELIC cada vez mais baixa, a rentabilidade dos fundos de investimento, descontando-se o Imposto de Renda e taxa de administração, se aproxima da verificada na poupança – que tem rendimento quase fixo e é livre de impostos e de taxa de administração. Além disso, a poupança está dentro do fundo garantidor de crédito, que devolve até R$ 60 mil depositados em cada instituição financeira por CPF em caso de insolvência.

Nesse cenário, o risco é de uma migração em massa de recursos aplicados em fundos para a caderneta de poupança.

O período em se ter uma poupança mais atrativa que outros investimentos é o desequilíbrio que poderia ocorrer no sistema financeiro. Grandes investidores pagam impostos quando aplicam em fundos ou CDBs. E são eles que compram títulos públicos e ajudam a financiar a dívida do governo federal. Como o dinheiro da poupança tem que ser utilizado exclusivamente para o crédito habitacional, o excesso de recursos se que haja procura por empréstimos pode obrigar os bancos a enviá-los para o Banco Central na forma de depósito compulsório. Já os CDBs, investimento que está em alta desde o ano passado, podem ser utilizados para outros tipos de financiamento.

O governo pode vincular a remuneração da poupança à SELIC. Essa é a alternativa que conta com a maior simpatia na equipe econômica, entre as que vêm sendo consideradas para evitar que o rendimento da poupança seja um empecilho à queda dos juros ou provoque uma migração em massa de aplicações.

Porém, outras opções estão sendo avaliadas.

Uma delas é estabelecer um porcentual acima do IPCA (índice oficial de inflação) para definir o rendimento das cadernetas.

Outra hipótese é dar ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a prerrogativa de fixar periodicamente a remuneração, como ocorre hoje com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). De acordo com estudos do governo, se a SELIC for adotada como parâmetro da remuneração da poupança, a vinculação não seria integral. O rendimento dos poupadores seria definido como um porcentual da taxa.

Esse “desconto” é justificável na medida em que, ao contrário dos fundos e de outras aplicações, a poupança é totalmente garantida pelo governo, tem liquidez imediata, é isenta de Imposto de Renda e, além disso, os poupadores não pagam taxa de administração aos bancos. Uma variante dessa medida seria estabelecer uma flutuação entre a SELIC e a rentabilidade da poupança: quanto maior a SELIC, menor o porcentual que definiria a remuneração das cadernetas.

Ao que parece a caderneta de poupança, aplicação de país com inflação elevada, talvez não tenha espaço num cenário de estabilidade e de juros baixos.

Bibliografia:
O Estado do São Paulo, edição 42.150 de 13 de março de 2009
O Estado do São Paulo, edição 42.154 de 17 de março de 2009
Revista da Semana, edição 80 de 26 de março de 2009
Revista Isto É Dinheiro, edição 598 de 25 de março de 2009